Sobrevivente equatoriano iria encontrar os pais nos Estados Unidos
Sobrevivente equatoriano iria encontrar os pais nos Estados Unidos
O único sobrevivente do massacre em Tamulipas, México, se chama Luis Freddy Lala Pomavilla, um agricultor equatoriano de 18 anos que desejava encontrar os pais nos Estados Unidos, onde vivem ilegalmente. Freddy integrava o grupo de imigrantes latino-americanos que viajava sem documentação e que foi alvejado por criminosos mexicanos – 72, entre eles brasileiros, morreram no ataque. O equatoriano – com um tiro na garganta – se fingiu de morto e, com isso, conseguiu sobreviver.
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Vizinhos e familiares entrevistados pelo jornal equatoriano Diário Hoy disseram que Freddy estava há dois meses longe de casa. “Ele viajou em junho. Um coiote de Cuenca, chamado Carlos, fez os contatos”, afirmou um vizinho, que não quis se identificar. O coiote emitiu o passaporte de Freddy logo após ele completar 18 anos. O rapaz vivia em Zer, uma cidade com pouco mais de 400 habitantes perto de Cañar, no sul do Equador.
Efe

Angelita, esposa de Freddy e grávida de quatro meses, segura foto do casal
Segundo seu tio, o jovem viajou em busca de melhores condições de trabalho nos EUA. “Aqui não há trabalho”, disse, explicando que o os pais de Freddy vivem ilegalmente no país norte-americano há vários anos. “Eles pediram para que o filho cruzasse a fronteira, pois os dois estão sem emprego e só conseguem mandar cerca de 50 dólares por semana à família”, explicou a tia de Freddy, María Udulia Lala.
Outro familiar de Freddy disse que quando o rapaz chegou ao México, telefonou para a família e contou que os coiotes estavam pedindo dinheiro para poder seguir o trajeto, mas foram enviados somente mil dólares.
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A esposa de Freddy, Angelita Lala está grávida de quatro meses. “Há uma semana ele me ligou para dizer que estava tudo bem e que havia chegado a Guatemala, seguiria viajando”, afirmou a jovem de 17 anos à agência Efe. Além disso, Lala indicou que o casal acumulou uma dívida de 11 mil dólares para que Freddy pudesse pagar o coiote.
Efetivos da marinha mexicana descobriram os cadáveres no rancho após denúncia do equatoriano. O ministério da Marinha informou o fato na noite de terça-feira, em um comunicado que afirmou que as 72 vítimas, das quais 14 são mulheres, foram encontradas no rancho depois de se registrar um tiroteio com pistoleiros que custodiavam o local e no qual morreu um soldado e três supostos sicários.
Efe

Familiares de Freddy aguardam notícia do jovem, atingido por um tiro na garganta no México
O estado de Tamaulipas é cenário de fortes disputas entre o cartel de traficantes de drogas do Golfo e seus antigos aliados, Los Zetas, liderados por soldados de elite desertores, acusados pelas autoridades de cometer diversos massacres e de realizar sequestros em massa.
Odisséia
A maioria dos imigrantes latinos em busca do sonho americano percorre um perigoso trajeto até a fronteira entre o México e os EUA. De acordo com Instituto Nacional de Imigração do México, cerca de 400 mil pessoas tentam a sorte todos os anos e muitos ficam pelo caminho.
O primeiro passo é cruzar o limite com a Guatemala a nado ou de balsa pelo rio Suchiate. Depois, grupos seguem até a cidade mexicana de Arriaga, no estado de Chiapas, onde todos esperam pela “Besta”, ou como são conhecidos os trens de carga que cortam o México. Os imigrantes se posicionam no teto dos vagões e passam por diversos apuros ao longo do trajeto – há aqueles que caem dos veículos em movimento ou que são abordados por criminosos.
A última etapa é a temida fronteira com os EUA. Grande parte dos latino-americanos atravessa pelo estado de Baixa Califórnia, oeste mexicano e pagam até 1,5 mil dólares para serem auxiliados por coiotes. Com cinco mil dólares é possível cruzar a fronteira do modo mais fácil e seguro: de carro
Mapa mostra o trajeto feito por Freddy: No ponto A, a cidade de Cañar e no B, San Fernando, em Tamaulipas
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