Situação piorou após discurso de Mubarak, diz professor da USP que está na capital do Egito
Situação piorou após discurso de Mubarak, diz professor da USP que está na capital do Egito
O professor do departamento de línguas orientais da Universidade de São Paulo Mamede Mustafa Jarouche está no Cairo, capital do Egito, e relatou ao Opera Mundi a tensão da população da cidade diante das manifestações que pedem a queda do presidente Hosni Mubarak, há 30 anos no poder.
Nesta quarta-feira (2/2), pelo menos uma pessoa morreu e mais de 600 ficaram feridas após os confrontos, segundo comunicado divulgado pelo Ministério da Saúde do país.
“A situação está tensa na cidade e é possível ouvir tiros de vez em quando”, disse Jarouche. “Os comitês populares estão vigiando cada quarteirão para impedir que os bandidos que a polícia do governo Mubarak soltou para aterrorizar a população invadam, prejudiquem ou matem alguém.” Jarouche referia-se a milicianos pró-Mubarak que, em trajes civis, enfrentaram os manifestantes que pedem o fim do regime.
Reprodução/Facebook

Para Jarouche, o pronunciamento de Mubarak aumentou a tensão no país
Jarouche informou ainda ter sido alertado para que não deixasse o hotel em que está hospedado (que fica a dez minutos da praça Tahrir). Com isso, segue confinado, à espera de uma melhora da situação. “Eu estou sozinho e ontem esqueci de comprar comida. Estou com uma garrafa d’água aqui e o comércio está todo fechado”, completou.
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Segundo Jarouche, o discurso de Mubarak na terça-feira (1º/2) piorou o clima da cidade. “A situação piorou muito, pois se esperava com muita expectativa e ansiedade pela renúncia. Era o mínimo que se esperava”, afirmou.
Durante o confronto iniciado na manhã desta quarta, paus, pedras, cavalos e até mesmo camelos foram usados pelos manifestantes e pelas milícias pró-governo. Jarouche revelou, inclusive, que um amigo havia sido surpreendido pelo avanço dos animais sobre as pessoas durante o ato.
O brasileiro analisou o significado de todo o movimento que ocorre hoje no Egito pela queda de Mubarak.
“Hoje se pede a renúncia do presidente, se pede que ele vá embora, que ele seja julgado por um Tribunal pelos crimes que cometeu. Isso nunca foi dito de uma maneira explícita, a plenos pulmões como está sendo feito hoje. Há um clima muito forte na rua de insatisfação”, completou o professor.
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