Segunda-feira, 18 de maio de 2026
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Por causa da série de protestos contra o aumento de preços e o desemprego, a Tunísia decretou toque de recolher na capital do país, Túnis. A proibição de circulação vale entre as 20h e as 6h. Escolas e universidades continuam com aulas suspensas.

Mesmo com a regra em vigor, as manifestações continuaram à noite, segundo relata a BBC. A polícia voltou a agir com força. Durante o dia, alguns carros foram virados nas ruas interditadas e incendiados. O chão de algumas avenidas ficou coberto por muitas pedras, usadas para atacar a polícia, que respondia com bombas de gás.

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Na tentativa de acalmar os manifestantes, o governo já havia anunciado a intenções de criar 300 mil empregos até o final de 2012 e a designação de um grupo específico para investigar denúncias de corrupção.

O número oficial de mortos chegou a 23, desde meados de dezembro, quando começaram protestos contra a alta de preços e o desemprego. Organizações civis falam em até 50 mortes. As Nações Unidas e a União Europeia manifestaram preocupação com o que chamam de “uso excessivo de força” pela polícia tunisiana. O ministro do interior, Rafik Belhaj Kacem, responsável pela polícia, foi demitido.

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Na semana passada, a vizinha Argélia também passou por uma onda de protestos contra o aumento no preço dos alimentos e o desemprego. O custo da farinha e do óleo de cozinha dobraram no mês passado, atingindo preços recordes. Um quilo de açúcar saltou de 70 dinares (cerca de RS 1,50) para 150 dinares (R$ 3).

A Argélia depende vitalmente do setor energético, de onde vêm 97% do total de impostações do país. O país é integrante da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). Dados oficiais colocam o desemprego na casa dos 10% da população economicamente ativa. Mas organizações civis apontam para um número mais alto, na casa dos 25%.

Em setembro passado, manifestações violentas paralisaram Maputo, capital moçambicana. A reclamação era contra o aumento dos preços do pão, água e energia – que posteriormente foram revogados pelo governo.

Análise

Vendo o que se passa hoje no Norte do continente, o professor moçambicano de economia Regendras de Sousa acha que a inquietação pode continuar crescendo na África. “O fato de terem buscar alimento mais caro com uma moeda americana (dólar) mais fraca faz com que esses países importam inflação”, afirma.

Com isso, diz ele, a crise atinge em cheio aos mais vulneráveis, pois muitos países africanos precisam importar até os alimentos mais básicos, até mesmo os que produzem petróleo.“Nosso vizinho irmão Angola, muito em breve, também vai se ressentir”, acredita. “A economia angolana gira em torno do petróleo e a agricultura ainda é deficiente. A subida de preços de alimentos vai lhes bater à porta.”

O professor alerta que a falta de equilíbrio das contas públicas e o inchaço vivido por Luanda (onde vive quase metade da população angolana) deve ser acompanhada de perto pelas autoridades.



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Série de protestos leva Tunísia a decretar toque de recolher na capital

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