Quarta-feira, 8 de abril de 2026
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O príncipe Charles, herdeiro da coroa britânica, encerrou esta semana uma viagem de dez dias pelo Canadá. Acompanhado da esposa, Camilla, o príncipe cruzou o país de leste a oeste, passando por quatro províncias e recebendo uma série de homenagens do governo canadense, que oficialmente integra a Comunidade Britânica e onde reina a família real inglesa.

Entretanto, a presença real não agradou a todos no país, principalmente na parte francófona – a província do Quebec.

A chegada de Charles a Montreal, maior cidade da província – motivou protestos de canadenses que defendem a independência do Quebec. Cerca de 200 quebequenses se reuniram em frente a um monumento dedicado a soldados canadenses levantando cartazes de reprovação à visita: “Majestade, vá para casa”.

Alguns manifestantes chegaram a atirar ovos em direção à comitiva real. A tropa de choque foi acionada para conter o protesto. Duas pessoas foram presas.

A manifestação foi organizada pelo Grupo de Resistência Quebequense, criado em 2007 para a defesa da soberania do Quebec. O presidente do grupo separatista, Patrick Bourgeois, declarou em carta aberta que a visita de Charles é inaceitável, já que o povo do Québec “odeia” a família real e sua autoridade nominal sobre a província.

Cartaz espalhado pelos separatistas em Montreal

“Este protesto contém toda nossa raiva, que é proporcional à náusea que temos da coroa britânica”, afirmou Bourgeois. “Porém, eles [Charles e o governo canadense] continuam a dizer que o Quebec pertence a ele e que quem não se contentar tem de procurar outro lugar para morar. Chega!”

Em discurso, o príncipe Charles não comentou o teor separatista da manifestação, mas se desculpou pelos problemas causados por sua visita. “Eu receio que tenha causado algum distúrbio local”, afirmou.

Histórico

A discussão sobre a independência do Quebec remete ao ano de 1830, quando a ex-colônia francesa foi anexada à colônia britânica. Já naquela época, habitantes da parte francófona organizavam-se para tentar manter viva sua tradição.

A Sociedade São João Batista de Montreal, por exemplo, foi fundada com este intuito em 1834. Segundo o presidente da entidade, Mario Beaulieu, ex-senador canadense, a coroa britânica repreende a vontade dos franco-canadenses de se tornarem independentes desde 1837.

Vem daí, diz Beaulieu, a desaprovação dos quebequenses à realeza inglesa. “Pesquisas recentes demonstram que 86% da população do Quebec querem romper com a monarquia britânica”, declarou, em carta aberta publicada dias antes da chegada do príncipe.

Atos pela independência fazem parte da história da província. Em 1970, o então ministro do Trabalho, Pierre Laporte, foi sequestrado e assassinado por membros da Frente de Libertação do Quebec. Em seguida, o grupo separatista foi banido pelo governo.

Tanto em 1980 quanto em 1995, foram realizados plebiscitos sobre a independência do Quebec. No primeiro, 60% votaram pela não-separação. No último, os separatistas foram vencidos novamente, mas desta vez por uma diferença de somente 1% dos votos.

“Charles e Camilla são nossa majestade, são a nossa família real, e eu tenho orgulho disso”, disse Regis Corbin, um dos quebequenses que se declaram a favor da coroa britânica e contra os separatistas, em entrevista à rede de TV local CBC News.

Contudo, mesmo após as derrotas, o movimento pela indepedência continua ativo nas principais cidades da província. Em Montreal e na Cidade do Quebec, cartazes e pichações ainda exibem o lema separatista “Quebec Livre”.

Separatistas aproveitam visita de príncipe Charles ao Canadá para mostrar força

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