Sexta-feira, 3 de abril de 2026
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A senadora colombiana Piedad Córdoba, líder do grupo Colombianas e Colombianos pela Paz, divulgou provas de vida de dois dos mais recentes reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia) e prometeu que haverá mais nos próximos dias, correspondentes a militares e policiais considerados como “passíveis de troca” – ou canjeables, como são chamados aqueles sequestrados com motivação política, e não para obtenção de resgate.

Piedad divulgou o vídeo durante entrevista coletiva em Bogotá, em que também criticou a instalação de bases militares norte-americanas na Colômbia, ato “contrário aos interesses do país”.

Em um vídeo de quase 15 minutos, aparentemente gravado em julho, o major da Polícia Guillermo Javier Solórzano e o cabo do Exército Salín Antonio Sanmiguel Valderrama aparecem em bom estado de saúde. A gravação foi entregue por Córdoba aos familiares dos dois reféns e à imprensa ontem (18).


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Os dois estão incluídos na lista de 23 policiais e militares – o governo da Colômbia e Córdoba trabalham com uma de 24 – que as Farc pretendem trocar por 500 guerrilheiros presos.

“Estou bem. Continuo forte e tenho esperança em uma pronta libertação”, diz Sanmiguel a seus parentes, sequestrado em 23 de maio de 2008 no departamento (estado) colombiano de Tolima. Além disso, pede a sua mãe e a todas as mães dos sequestrados para que “tentem não chorar” nas mensagens que chegam pelo rádio e que eles escutam na selva, porque isso “dói muito no coração”.

Sua mãe, Olga Valderrama, esteve na casa da senadora Córdoba no centro de Bogotá, onde foram divulgadas as provas de vida, e disse que está “feliz e com energia” porque viu que seu filho está bem.

“O sequestro produz dor e sofrimento. É minha família que está padecendo”, falou Solórzano, de pai equatoriano e refém desde 4 de junho de 2007, quando foi sequestrado no sudoeste da Colômbia.

“Reivindico a todos aqueles que têm em seu poder as decisões para que possamos retornar à vida, para que façam algo por nós, que nos ajudem, que se deem conta de que nós aqui estamos padecendo”, acrescenta em sua mensagem.

A senadora Córdoba prometeu que “chegarão mais provas nos próximos dias” de outros policiais e militares da lista. “Continuamos trabalhando, lutando”, enfatizou a legisladora, que foi mediadora nas 12 libertações unilaterais que as Farc fizeram desde o começo de 2008.

Sobre as libertações do cabo do Exército Pablo Emilio Moncayo, sequestrado há quase 12 anos, e do soldado Josué Daniel Calvo, Córdoba reiterou que não há avanços e que “sua entrega só depende do Governo”.

Os rebeldes expressaram sua disposição em libertar esses dois militares e a entregar o cadáver de um capitão da Polícia que morreu em cativeiro.

Bases

Uribe autorizou em 8 de julho a participação de Córdoba nessas libertações, mas sob a condição de que as Farc entreguem todos os policiais e militares que têm em seu poder, assim como os corpos de três homens que morreram em cativeiro.

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A senadora pediu para ter uma reunião com Uribe com o objetivo de definir como proceder para que as libertações anunciadas ocorram, mas esse encontro ainda não se produziu.

Ela criticou o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia. “O Governo segue com uma decisão, dando as costas ao país, contrária aos interesses que podem significar a paz na Colômbia”, disse.

Senadora colombiana divulga provas de vida de reféns das Farc

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