Segunda-feira, 6 de abril de 2026
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O Senado argentino debaterá e votará amanhã (9) o projeto de lei de radiodifusão elaborado pelo governo e que pretende substituir o atual, redigido durante a ditadura militar (1976-1983). Em 16 de setembro a Câmara dos Deputados aprovou o texto por 147 votos a favor e 3 contra – no dia a oposição se recusou a votar e abandonou a votação.

Aqueles contrários à lei são principalmente os grandes grupos de mídia, como o Clarín, que teme perder o monopólio. A organização de mídia controla uma parte da indústria de papéis, jornais, canais de televisão aberta em Buenos Aires e no interior, rádios AM e FM em todo o país, e tem um sistema de distribuição de televisão a cabo dominante. Além disso, também produz a maioria dos conteúdos para a televisão, aberta e a cabo, já que tampouco há uma proibição da integração vertical como existem em outros países. Por fim, tinha, até agosto, a exclusividade sobre os direitos de futebol, que se estendiam ao Uruguai e Paraguai.

Durante a administração do presidente Nestor Kirchner (2003-2007), o apoio da mídia em geral era grande, inclusive do Clarín.  No entanto, a partir de 2008, já na administração de Cristina Kirchner, a relação entrou em declínio. Os dois principais fatores foram a diminuição do apoio à classe média urbana – principal público do Clarín – e as táticas usadas contra os protestos de produtores reuralistas ano passado, o que alarmou grupos de empresários em geral e também de mídia.

Projeto

A nova lei criará uma comissão bicameral de controle da “autoridade de aplicação”, um Conselho Federal de Comunicação Audiovisual e a figura do Defensor Público de consumidores de serviços audiovisuais.

O texto estabelece que uma empresa não pode ter mais de dez estações de rádio e televisão, 14 menos que o limite atual, e que também não pode ser titular de um canal de TV de ar e de um de cabo em uma mesma localidade, um dos pontos que maiores críticas provocou entre as empresas com interesses no setor, como o Grupo Clarín.

O projeto de lei também cria quotas de produção local e indica que as companhias podem ter até um 30% de participação estrangeira, salvo que se trate de uma empresa de um país que tenha assinado um tratado de “reciprocidade efetiva” com a Argentina, o que habilita uma participação majoritária de capital de origem estrangeiro.

O apoio à iniciativa aumentou depois que a presidente anunciou na segunda-feira a eliminação da permissão para que as empresas telefônicas entrem ao sistema de meios audiovisuais por meio do serviço adicional de televisão por subscrição.

Senado argentino vota projeto de lei de radiodifusão

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