Semana começa com metrô parado em Lisboa, em protesto contra plano de austeridade
Semana começa com metrô parado em Lisboa, em protesto contra plano de austeridade
Com os trabalhadores em greve contra cortes salariais, o metrô de Lisboa amanheceu fechado nesta segunda-feira (7/2), só voltando ao normal ao meio-dia. Ao longo da semana, ônibus, bondinhos, barcos, trens e correios também serão afetados por paralisações. “Eu também (tive queda nos vencimentos). Quase toda a gente está a apanhar com isso”, diz o militar Ricardo Rodrigues, de 29 anos, pego de surpresa pelas portas fechadas da estação Entrecampos. “Mas não sei se (os protestos) vão dar resultado a alguém.”
A redução no financiamento de escolas privadas leva pais de alunos realizarem manifestação amanhã, em Lisboa. Entre 26 e 28 do mês passado, alguns grupos impediram os filhos de irem às instituições de ensino, fazendo com que parte da rede ficasse sem aulas. A associação de escolas católicas declarou que vai entrar com um processo contra o governo por causa da diminuição nas verbas.
Vitor Sorano/Opera Mundi
SOS Educação leva caixões para protestar contra cortes no setor
A série de protestos ocorre pouco mais de um mês depois de entrar em vigor o orçamento de 2011. Por ele, Portugal tenta sair da condição de próxima vítima da crise internacional. Após sua aprovação, o país teve a primeira greve geral em mais de 20 anos. O aperto tem impacto no desemprego, de 10,4% e o terceiro maior da zona do euro, e no crescimento econômico, com recuo estimado de 1,3% do PIB em 2011.
Os funcionários públicos que ganham acima de 1,5 mil Euros (R$ 3.409,20) começaram a receber salários mais baixos. Segundo Amável Alves, coordenador da Federação de Sindicatos dos Transportes (Fectrans), nas empresas públicas – como o Metrô – todos foram afetados, independente do salário ou não, já que bonificações e avaliações para progressão na carreira foram congeladas.
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Uma manifestação nacional dos servidores está sendo programada para março. “Persistindo as razões, persiste a luta”, diz Alves. A paralisação desta semana é a terceira do setor de transportes em menos de um ano.
Para reduzir o gasto com benefícios sociais, o governo alterou já no ano passado o cálculo do rendimento familiar. A renda média de parte dos beneficiários sobe, o que reduz ou elimina as prestações. As bolsas de estudo, por exemplo, passaram a fazer parte da conta.
Na Universidade de Coimbra – a mais tradicional do país – mais estudantes abandonaram o curso no primeiro semestre deste ano letivo (iniciado em setembro) do que em todo o ano anterior. Segundo Eduardo Melo, presidente da Associação Acadêmica de Coimbra, os cortes e reduções decorrentes da nova fórmula são um dos motivos para as desistências
Déficit e convergência
Em 2009, o déficit externo de Portugal foi de 9,3%, ante um limite máximo de 3% estabelecido determinado pela União Europeia. Com medidas de austeridade, o país promete colocar o indicador nos eixos até 2013.
Mostrar que está cumprindo esse e outros objetivos de consolidação orçamental é essencial para o país conseguir diminuir o custo de seu endividamento. Descontadas Irlanda e Grécia, que já recorreram a ajuda externa, o governo português paga os juros mais altos entre os 17 países da zona do euro.
Vítor Sorano/Opera Mundi
Estudante Pedro Fernandes em frente ao metrô Alameda, fechado
O governo do primeiro-ministro José Sócrates, do Partido Socialista, vem se mostrando favorável às medidas de maior controle das economias do bloco por parte de Bruxelas. Em 2010, o ministro das Finanças, Texeira dos Santos, defendeu o mecanismo que obriga os países a submeterem seus orçamentos anuais ao crivo comunitário antes de passar nos parlamentos nacionais.
Na semana passada, em entrevista ao Wall Street Journal, Sócrates foi um dos que elogiou a proposta da França e da Alemanha de aumentarem a integração econômica entre os países do euro. Segundo o jornal, o primeiro-ministro se mostrou um entusiasta da convergência dos sistemas de aposentadoria, de modo a harmonizar, por exemplo, a idade mínima para receber o benefício.
Sofrendo o desgaste das medidas de aperto, Sócrates e o Partido Socialista perderiam hoje as eleições para o Parlamento – programadas para 2013. Segundo o último levantamento, divulgado neste final de semana, o Partido Social Democrata (PSD) teria 10% a mais de votos.
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