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Em 13 junho de 2006, o presidente peruano Alan García visitou o Brasil e foi recebido pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Era a primeira visita de García após sua eleição, em 4 de junho daquele ano – ainda antes, portanto, de sua posse no cargo.

Além da conversa com Lula sobre oportunidades em comércio bilateral, o ex-chanceler Celso Amorim ofereceu um almoço a García no Palácio do Itamaraty. Com a forte demonstração da intenção peruana de se aproximar do Brasil, a recepção acabou se tornando um  verdadeiro “festival do amor”, segundo o então subsecretário para assuntos políticos do Ministério do Exterior peruano, Pablo Portugal. 

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Leia o documento original, em inglês, na íntegra

Portugal, que hoje segue carreira diplomática, segundo documento obtido pelo Wikileaks, ao qual o Opera Mundi teve acesso, se encontrou com o embaixador norte-americano em Lima no dia 14 de junho para um café-da-manhã, acompanhado do subsecretário para Américas Luis Sandoval. No despacho confidencial, intitulado “Encontro Lula-Garcia é um festival de amor”, o ex-embaixador James Curtis Struble comenta que Portugal passou a maior parte dos 90 minutos do encontro “relembrando a atmosfera” da reunião entre os dois presidentes.

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Portugal disse que Lula e García “retomaram sua “calorosa amizade de duas décadas” e adicionou: “Se a relação entre Toledo e Lula era de ‘parceria’, a relação García-Lula vai ser um ‘casamento’”. Para ele, o ‘casamento’ seria cimentado com a visita oficial de García ao Brasil no final de agosto. A visita acabaria ocorrendo apenas em novembro. 

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Etanol e Gerdau

Na visita, os dois conversaram sobre possíveis parcerias, como a estrada interoceânica, a cooperação em programas de erradicação da pobreza, a possibilidade de ajuda do Brasil para o Peru desenvolver etanol e biodiesel e participação brasileira na construção de rodovias e com a Petrobrás no país.

Segundo o despacho, Lula abriu as portas para o grupo Gerdau, observando que o grupo brasileiro estava interessado em comprar a metalúrgica Siderperu. Em 9 de fevereiro de 2011, a empresa brasileira anunciou um investimento de US$ 120 milhões durante os próximos três anos na siderúrgica, depois de reunião com Alan García. 

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Já García pediu uma visita de Pelé ao Peru para promover atividades esportivas.

“Lula enfatizou que o Brasil não buscava ‘hegemonia’ através de uma aliança com o Peru, mas via isso como um veículo para unir a América do Sul para que toda a região pudesse virar um ator global em igualdade com a China e a Índia”, relata o documento

Em resposta García teria deixado claro seu apoio à liderança brasileira. “García reassegurou Lula sobre as ambições brasileiras para a liderança regional, dizendo que ele preferia a hegemonia do Brasil à dos EUA”.

Chávez

Em seguida, Portugal enfatizou o “valor” de uma forte relação entre Brasil e Peru “para se contrapor a Chávez” – e disse que o Itamaraty pensava da mesma maneira. “A esse respeito, disse ele, o governo brasileiro, e o Itamaraty em particular, estava muito satisfeito de ver o triunfo de García sobre Ollanta Humala, vendo isso como uma reviravolta muito necessária contra Chávez e a ‘restauração do equilíbrio regional’”.

Para Portugal, o Brasil tentava lidar com Chávez ignorando seus arroubos mais agressivos. Mas, para o embaixador James Curtis Struble, essa política tinha “limitações”, já que não havia impedido o venezuelano de “incitar Evo” a nacionalizar bens da Petrobras. Em resposta, Portugual responde que o Peru poderia enfrentar Chávez “quando ele cruzar a linha”, por não ter interesses comerciais no país.

Stuble conclui o documento analisando que García estava “interessado não somente em coordenar com colegas socialistas no Brasil e no Chile, com quem ele sente uma afinidade, mas em projetar liderança vis-à-vis a Venezuela” – o que não significaria uma grande mudança quanto ao seu antecessor em termos de afinidade com os EUA.

O governo de Alan García é visto até hoje como um dos maiores aliados dos EUA na América Latina. Ele tem pedido mais apoio norte-americano no combate ao narcotráfico, e chegou a afirmar que não teria problemas em aceitar tropas norte-americanas no Peru para esse fim. 

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Segundo Wikileaks, Peru disse que preferia hegemonia brasileira à dos EUA

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