Domingo, 3 de maio de 2026
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O presidente da França, Nicolas Sarkozy, negou e chamou de “calúnia” a acusação de que teria recebido dinheiro da dona da L'Oréal ilegalmente, publicou a imprensa francesa nesta terça-feira (6/7). Ele também saiu em defesa de seu ministro do Trabalho, Eric Woerth, cuja esposa, Florence, trabalhava na contabilidade da empresa e é suspeita de ter encoberto um esquema milionário de sonegação fiscal.

Para Sarkozy, Woerth está sendo vítima de calúnia “sem o menor embasamento”. Durante uma ida a uma clínica e após resistir às perguntas dos jornalistas sobre a acusação, Sarkozy se limitou a fazer um comentário genérico.

“Eu gostaria que o país se apaixonasse pelos grandes problemas, pela organização da saúde, a previdência, por como criar crescimento econômico”, em lugar de acreditar “na primeira calúnia”, disse.

Sarkozy não quis modificar a agenda, apesar das informações a respeito da então contadora da empresa, Claire Thibout, publicadas no site Médiapart.fr. Em depoimento à polícia, na segunda-feira (5/7), ela disse que teria entregado 150 mil euros da L’Oréal para a campanha de Sarkozy à presidência, em março de 2007, usando Woerth como intermediário. Se a acusação for confirmada, o financiamento de campanha terá sido ilegal.

Claire disse que ela foi sacar os 50 mil euros do banco pessoalmente. Outros 100 mil de contas suíças de Bettencourt, segundo a ex-contadora da L’Oréal, se somam à quantia entregue no dia 27 de março de 2007 – a dois meses das eleições presidenciais – a Woerth, então o tesoureiro da UMP, partido de Sarkozy.

A mulher mais rica da França, segundo o Médiapart.fr, entregava envelopes com dinheiro a diversos políticos de direita. Entre eles estaria Sarkozy, quando ainda era prefeito de Neuilly, perto de Paris, nos anos 1990. É na mesma cidade que fica o palacete em que mora a milionária Liliane Bettencourt, mulher mais rica da França que herdou a fortuna da empresa de cosméticos L’Oréal, em 1957. O caso teria começado quando a filha de Liliane, Françoise, tentou interditar a mãe por fazer doações milionárias a “amigos” usando o dinheiro da empresa.

Ônus da prova

No Palácio do Eliseu, nem os membros do governo entraram no mérito das acusações, à espera de o chefe do Estado decidir a forma e o momento de reagir. Até agora, dois secretários do gabinete renunciaram ao cargo.

O ministro do Orçamento, François Baroin, acusou a oposição socialista de aproveitar o momento para tentar desacreditar o governo. Ele exigiu explicações na Assembleia Nacional por “lançarem acusações sem provas”. O discurso fez os deputados da oposição deixarem o plenário.

Momentos antes, a ministra da Justiça, Michèle Alliot-Marie, tinha acusado os socialistas de “esquecerem que a inocência se presume e a culpabilidade se demonstra”. Para ela, “a Justiça está investigando o caso de forma totalmente independente”.

Esclarecimento

Já a porta voz da oposição socialista, Benoît Hamon pediu a renúncia de Woerth por uma “confusão entre os interesses públicos e privados”, em alusão às suspeitas de que, como diretor da política fiscal entre 2007 e 2010, ele deu um tratamento de graça a Bettencourt, para quem sua esposa trabalhava como assessora na gestão de sua fortuna.

Até agora, o presidente francês se esforçou em defender Woerth. O ministro afirmou que não vai renunciar porque, na sua opinião, isso serviria para “dar a razão” a que participa de uma “campanha” contra ele. Woerth alegou que seu partido não recebeu “nem um euro” de origem ilegal.

O certo é que, dentro da base aliada, personalidades como o líder de bancada da UMP, Jean-François Copé, e o ex-primeiro-ministro e senador Jean-Pierre Raffarin pediram publicamente a Sarkozy que se dirija aos franceses para esclarecer os fatos.

*Com agências EFE e Reuters.

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Sarkozy nega acusação de ter recebido dinheiro ilegal da L Oréal

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