Quarta-feira, 29 de abril de 2026
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O ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, que obteve mais que o dobro
de votos de seu principal rival, Antanas Mockus, no primeiro turno das
eleições à presidência da Colômbia, foi o estrategista dos maiores
golpes contra as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

No entanto, sua recente ascensão política está marcada pela
polêmica com Equador e Venezuela, país que declarou, por meio do
presidente Hugo Chávez, que caso Santos seja eleito presidente nas
eleições do próximo domingo (20/6), isso apenas agravaria as
deterioradas relações bilaterais.

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Como ministro da Defesa de Uribe, Santos idealizou e autorizou a
operação na qual foi um dos principais integrantes da guerrilha, Luis
Edgar Devia Silva, conhecido como Raúl Reyes, foi morto em um
bombardeio aéreo a um acampamento da guerrilha no Equador em março de
2008, que deixou outros 25 mortos.

Esse ataque fez com que o presidente do Equador, Rafael Correa,
rompesse as relações com a Colômbia e que fosse aberto um processo
judicial no Equador contra o candidato do Partido Social da Unidade
Nacional.

Também como ministro da Defesa, Santos elaborou a operação pela
qual oficiais do exército enganaram as Farc, fazendo-se passar por uma
missão humanitária, e resgataram 15 reféns da guerrilha, entre eles a
ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e três norte-americanos.

Santos foi o diretor pelo início das negociações com os Estados
Unidos sobre o acordo militar assinado em outubro passado, que permite
a militares e assessores norte-americanos usarem sete bases em
território colombiano para a luta contra o narcotráfico e o terrorismo.

A assinatura desse acordo levou a Venezuela a congelar as relações
diplomáticas e comerciais com a Colômbia por considerar que a presença
de soldados norte-americanos põe em perigo a segurança regional e
sobretudo a de seu país.

A gestão de Santos no Ministério da Defesa foi marcada também pelo
escândalo de jovens assassinados por militares, que os apresentaram
como guerrilheiros mortos em combate para receber benefícios, tais como
folgas nos finais de semana, no caso conhecido como “falsos positivos”.

Nascido em Bogotá em 10 de agosto de 1951, Santos começou sua
carreira política em 1972 ao representar durante nove anos a Colômbia
na Organização Internacional do Café, em Londres.

Ao retornar a seu país, assumiu o cargo de subdiretor do jornal “El
Tiempo”, propriedade de sua família e que recentemente vendeu a maioria
das ações ao grupo espanhol Planeta.

O ex-presidente colombiano César Gaviria o nomeou, em 1991,
ministro do Comércio Exterior, função pela qual impulsionou acordos
comerciais com cinco países e com a Comunidade do Caribe (Caricom).

Entre 1995 e 1997, ele fez parte da máxima direção do Partido
Liberal, atualmente de oposição, e apresentou pela primeira vez sua
candidatura à presidência colombiana.

O ex-presidente Ernesto Samper (1994-1998) afirmou recentemente
que, durante esses anos, Santos liderou um plano com os paramilitares
para derrubá-lo durante seu governo, versão que coincide com
declarações em 2007 do ex-chefe da extrema-direita armada Salvatore
Mancuso, agora extraditado aos EUA.

Durante o governo de Andrés Pastrana (1998-2002), Santos trabalhou
como ministro da Fazenda e Crédito Público e teve de enfrentar uma
grave crise econômica.

Em 2004, se afastou do Partido Liberal para apoiar Uribe. Foi um
dos criadores do Partido Social da Unidade Nacional, a força política
que ganhou as legislativas de 2006 e as do último dia 14 de março.

Casado com María Clemencia Rodríguez e pai de María Antonia, Martín
e Esteban, o candidato pró-governo estudou Economia e Administração de
Empresas na Universidade do Kansas (EUA).

Ele também estudou Desenvolvimento Econômico e Administração
Pública na Escola de Economia de Londres e na Universidade de Harvard.
Tem doutorado em Direito.

O candidato fez alguns destes estudos graças às bolsas de estudos
que ganhou das fundações norte-americanas Fulbright e Newmann. Também
trabalhou como professor de Ciências Econômicas na Universidade de Los
Andes, em Bogotá.

É autor de vários livros, entre eles um sobre a Terceira Via, que
escreveu junto ao ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Além
disso, criou a Fundação Bom governo na Colômbia.

Em seu último livro, “Jaque al terrorismo” (“Xeque ao terrorismo”,
em tradução livre), Juan Manuel Santos relata as grandes operações
militares que dirigiu durante sua gestão como ministro da Defesa.

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Santos, o estrategista responsável pelos maiores golpes às Farc

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