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Na madrugada de 28 de junho de 2009, dia em que seria realizada uma consulta popular sobre reforma constitucional, o presidente Manuel Zelaya foi acordado por militares armados que o tiraram não só da cama, como da Presidência da República e do país, expulsando-o para a Costa Rica.

O golpe militar de Estado deflagrado naquele momento era resultado de uma crise política que assolava o país desde o dia em que Zelaya convocou um plebiscito sobre a colocação de mais uma urna (a quarta) nas eleições de novembro, destinada a saber se a população queria mudanças na Constituição. Os oposicionistas acusaram o presidente de tomar uma decisão de deveria caber ao Congresso e de querer se perpetuar no poder, o que ele negava.

Apesar de as turbulências terem se intensificado com a questão do referendo, as tensões de Zelaya com a aliança formada pela maioria do Congresso e pelo setor empresarial vêm de antes, de quando o mandatário, de origem conservadora, começou a falar na necessidade de voltar o governo aos mais pobres e às políticas sociais, há cerca de dois anos.

Poucos dias antes de ser deposto, Zelaya já não tinha apoio do Congresso, das Forças Armadas nem do Judiciário. O impasse com os militares veio depois de ele sacar o chefe do Estado-Maior, general Romeo Vázquez, adversário desde o início da possibilidade de votar reformas no país.

Rompimento com os militares

A quebra de hierarquia que gerou sua demissão por Zelaya se deu quando Vásquez rejeitou fornecer apoio logístico no domingo em que o pleito este seria realizado. Logo depois, pediu exoneração o ministro da Defesa, Ángel Edmundo Orellana, e outros comandantes militares.

A saída de Vázquez foi anulada no dia 26 pela Suprema Corte de Justiça. Nesse mesmo dia, o Exército se mobilizou a fim de “prevenir possíveis distúrbios por parte de organizações populares e indígenas, que apoiam Zelaya”.

Já consciente de que a tensão aumentaria por conta das posições das Forças Armadas e do Judiciário contra ele, Zelaya afirmou a imprensa local que o dia seguinte, um domingo, seria histórico: dia de votação das reformas constitucionais. Seria também o dia do golpe de Estado.

Enquanto Zelaya falava, a Corte Suprema de Justiça e o Tribunal Supremo Eleitoral consideravam inconstitucional sua proposta para fazer uma reforma nas leis hondurenhas. O governo, no entanto, ignorou a disposição judicial e afirmou ser capaz de providenciar a logística e a apuração dos resultados. Estava armada a queda de braço.

Movimentos diplomáticos

Após ser acordado de madrugada e ser levado – ainda de pijama – para o país vizinho, Zelaya afirmou diversas vezes que voltaria ao cargo, o que ainda não ocorreu. Naquele domingo, em algumas partes do país, cidadãos hondurenhos foram votar. A cobertura jornalística foi interrompida, as transmissões caíram e o fato foi reportado como um acidente causado pelo vento e pela chuva.

Não seria a primeira vez que a imprensa local, desfavorável em sua maioria ao governo de Zelaya daria uma versão dos fatos que ajudou os golpistas. Ainda no domingo, Roberto Micheletti, presidente do Congresso e um dos principais adversários políticos de Zelaya, assumiu provisoriamente o comando do país, afirmando que não existiu golpe.

No dia seguinte os membros da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas), retiram seus embaixadores do país. O presidente dos Estados Unidos classifica como ilegal a jogada política no país e o Itamaraty (que repudiou o golpe), adia o retorno do embaixador brasileiro ao país, que estava  de férias.

No dia 30 de junho, Micheletti anuncia que o retorno de Zelaya a Honduras está proibido. Caso o presidente voltasse, seria será preso. Enquanto isso, a ONU (Organização das Nações Unidas) aprova uma resolução que prevê o retorno imediato do presidente deposto a Honduras. Impasse total.

No dia primeiro de julho a OEA (Organização dos Estados Americanos) deu um prazo de 72 horas para que Zelaya retornasse ao poder. A Suprema Corte do país não aceitou o pedido. O organismo se reuniu ainda diversas vezes, mas nenhuma teve o resultado almejado e a cada nova tentativa que falha a imagem da OEA vai ficando mais comprometida com a população.

Zelaya, visita outros países que lhe apóiam como Estados Unidos, Brasil e Chile. Durantes os dias seguintes,  constantemente diz que vai retornar a Honduras e ao poder.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, informa nove dias após a expulsão de Zelaya, que o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, se tornou mediador internacional do conflito no país. O anuncio foi feito enquanto Zelaya visitava Washington, logo após o governo norte-americano divulgar que congelaria parte da ajuda destinada a Honduras.

Arias, ganhador em 1987 o Nobel da Paz por seus trabalhos em meio a confrontos civis em El Salvador, ajudou a formular o Pacto de San José – que leva o nome da capital da Costa Rica. Mas nenhum dos lados do confronto hondurenho pareceram satisfeitos com suas premissas. Zelaya disse só concordar com ele a partir do momento que considerasse sua volta ao poder. Desde o dia em que foi feito, após várias tentativas, ainda não foi aprovado.

 

Estados Unidos tomam lado

Depois de o governo golpista começar campanha para as eleições marcadas para novembro, os Estados Unidos tomaram uma decisão mais firme, cortando ajuda ao governo de Honduras no valor de cerca de 22 milhões de dólares.

Os norte-americanos ainda negaram apoio às eleições no país e suspenderam os vistos dos integrantes da gestão golpista. O país é o maior parceiro comercial de Honduras e é destino de 70% das exportações do país caribenho. O governo golpista rebateu com acusações de que os Estados Unidos estariam se rendendo à influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

No início de setembro, outro movimento apoiado pelos Estados Unidos aumentou a pressão sobre o grupo de Micheletti. O Fundo Monetário Internacional (FMI) proibiu seu governo de utilizar os 163 milhões de dólares em Direitos Especiais de Giro (SDR, na sigla em inglês) que fazem parte de um investimento mais amplo de 250 bilhões de dólares.

Saiba mais sobre o conflito em Honduras e o golpe contra Zelaya

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