Sexta-feira, 24 de abril de 2026
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Após os atentados contra o metrô de Moscou, uma série de questões sobre o futuro da Rússia vem à tona. Além do combate ao terrorismo, a discussão de especialistas gira em torno das medidas a serem tomadas pelo governo para evitar futuros ataques como este, os efeitos colaterais, a estratégia política diante do norte do Cáucaso e a recorrente ameaça de desmembramento do país.

 

O diretor do programa de Rússia e Eurásia no centro de estudos britânico Chatham House, James Sherr, acredita que o principal problema após as explosões é a política de discriminação e segregação que paira no país. Segundo ele, a questão torna-se ainda mais problemática pelo fato de “as autoridades se negarem a admitir isso”.

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“As estruturas de poder estão priorizando cada vez mais seus próprios interesses e deixando de lado a representatividade e a proteção dos cidadãos”, disse o especialista, em chat promovido hoje no site do jornal britânico The Times.

 

Para ele, as explosões no metrô são perfeitas para justificar e manter o posicionamento do governo em relação ao norte do Cáucaso, mesmo sem provas efetivas de que o atentado teria vindo de grupos da região.

 

“É sempre tentador para as autoridades, após um escândalo como este, continuar suas ações em vez de repensá-las”, argumentou.

Sherr acredita que, além de mudar o posicionamento de segregação e controle da região do Cáucaso, as autoridades russas deveriam consultar especialistas para conter as reações de pânico e agir de forma construtiva (“e não destrutiva”), para realmente representar a população.

“Os russos hoje são alienados, estão assustados e não têm esperança. Não existem instituições que sejam verdadeiramente representativas e, exatamente por isso, o primeiro passo estratégico para dar fim a ações como a desta semana deve ser reavivar as organizações que tenham ideais semelhantes aos de pessoas comuns”, defendeu.

Imagem falsa

A ideia de que a Rússia é um país próspero e estável vigora desde o primeiro mandato do ex-presidente e atual primeiro-ministro do país, Vladimir Putin (1999-2004), o que – segundo Sherr – fez com que tanto os russos quanto a comunidade internacional “comprassem” essa imagem.

“Desde que assumiu o poder, ele [Putin] fez muito para sustentar essa ideia diante de todos, o que inevitavelmente tem consequências até hoje e levou a população russa a um atraso de percepção em relação a seus próprios problemas”, esclareceu o especialista.

Questionado sobre o cenário político e os efeitos colaterais do posicionamento errôneo do atual presidente russo, Dmitri Medvedev, em relação ao Cáucaso, James Sherr acredita que se ele concentrar a política interna na região, sua aprovação ficará em xeque. E isto, afirma, poderia levar a um aumento dos pedidos para o retorno de Putin ao Kremlin.

“Mesmo que ele volte à presidência, acredito que a ‘era Putin’ acabou. Ou seja, acho que Rússia já não pode mais se beneficiar e avançar com seus métodos de governo”, interpretou.

Patinação

Já em relação a Medvedev, a crítica de Sherr é quanto ao posicionamento “receptivo ao sistema” que está causando o problema e à sua política fracassada para o Cáucaso. O especialista acredita que, se Medvedev e Putin não agirem de forma decisiva, ambos serão acusados de permitir o retorno de ataques após anos de calmaria, o que obviamente não seria benéfico para a imagem de nenhum dos dois.

“Acho que os russos estão diante de um longo período de ‘patinação’, em um beco sem saída. Nada catastrófico, mas a população merece mais”, completou.

Após os ataques, um grupo da oposição russa divulgou comunicado dizendo que os ataques provaram que a política do Kremlin para o norte do Cáucaso fracassou e precisa ser remanejada.

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Rússia deve rever política de combate ao terrorismo, diz analista inglês

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