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A Revolução Mexicana foi um episódio da história que passou a fazer parte do imaginário ocidental.

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Em 1917, o filme norte-americano Patria, dirigido por Jacques Jaccard e Leopold Wharton, usou a Revolução Mexicana como pano de fundo para uma história de conspiração contra o México e o Japão, em produção financiada pelo magnata de mídia William Randolph Hearst. Graças à incursão que fez em território dos EUA para saquear mantimentos e munição, em 1916, a imagem de Pancho Villa para os norte-americanos passou de herói a bandido – e os filmes mudaram sua caracterização na mesma medida.

Em número de representações dramatizadas, a figura do bonachão Pancho Villa ganha do esbelto Zapata, com 37 aparições do primeiro contra 11 do segundo. Os atores mexicanos Pedro Armendáriz e seu filho Pedro Armendáriz Jr. foram os que mais interpretaram Pancho Villa no cinema.

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Reprodução



Viva Villa!, de 1934, indicado ao Oscar de melhor filme

O pai, filho de um mexicano e de uma norte-americana, em 1950, fez Vuelve Pancho Villa, e repetiria o papel mais quatro vezes até morrer, em 1963. Armendáriz Jr. Deu continuidade aos passos do pai em Gringo Velho (1989), com Jane Fonda e Gregory Peck, baseado no livro de Carlos Fuentes.

O mais reconhecido retrato de Villa, porém, seria feito em Viva Villa! (1934), indicado ao Oscar de melhor filme. O épico foi filmado no próprio México e protagonizado por Wallace Beery – o mesmo ator do Patria de 1917.

Se, na história real, o revolucionário gorducho teve uma aposentadoria melancólica e um fim trágico (assassinado em uma emboscada em 1923), na frente das câmeras foi vivido por grandes atores, inclusive alguns com porte de galã. O calvo Telly Savalas deu vida ao herói mexicano em Vendetta (1972), sobre a invasão de 1916. E Yul Brynner, que vivera o rei do Sião no clássico musical O Rei e Eu (1956), encarnou Pancho Villa em Villa Rides (1968), com Charles Bronson e Robert Mitchum no elenco.

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Do épico ao vaudeville

Mas Zapata também teria seu momento épico, encarnado por Marlon Brando no papel-título de Viva Zapata! (1952), clássico de ação dirigido por Elia Kazan sobre roteiro de John Steinbeck e com trilha de Alex North. Anthony Quinn, que viveu Eufemio, irmão mais velho de Emiliano, ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante pelo papel. Brando, Steinbeck e North também ganhariam Oscars por seus respectivos trabalhos no filme. Brando ainda levaria o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes do mesmo ano.

Entretanto, talvez a tentativa mais épica, mais longa e mais fracassada de registrar a Revolução Mexicana no cinema tenha sido ¡Qué Viva México!, do soviético Serguei Eisenstein, iniciada em 1930 e só concluída em 1979, mais de 30 anos após a morte do cineasta.

Trecho de ¡Qué Viva México!, do soviético Serguei Eisenstein

A produção foi inspirada por um encontro de Eisenstein com o muralista Diego Rivera, que estava em viagem a Moscou em 1927. Mas o diretor estendeu a concepção para uma narrativa antológica de toda a história do país, desde os tempos dos maias até o século XX. Com o orçamento estourado, porém, o diretor teve de abandonar o projeto em 1931, e o material filmado só seria finalizado por seu colaborador Grígori Aleksandrov.

A Revolução Mexicana atraiu também o gênero faroeste, por fazer retornar os temas de heroísmo e banditismo numa época em que o Velho Oeste norte-americano já estava “pacificado”. Um dos frutos disso foi Meu Ódio Será Sua Herança (1969), com William Holden e Ernest Borgnine no elenco, dirigidos por Sam Peckinpah. O mexicano Alfonso Arau, que fez uma ponta como ator nesse filme, dirigiria em 1992 o aclamado Como Água para Chocolate, uma história de amor ambientada durante a revolução, na região de fronteira entre o México e os EUA.

Até o francês Louis Malle, um dos expoentes do cinema de autor, aproveitou o clima do México revolucionário das décadas de 1910 e 1920 para fazer uma comédia, Viva María!, com roteiro de Jean-Claude Carrière e as beldades Brigitte Bardot e Jeanne Moreau como dançarinas de can-can.

TV e próximos passos

Além das telas grandes, a epopeia de Pancho Villa e Emiliano Zapata também foi contada muitas vezes na televisão, em especiais, telefilmes, seriados “enlatados” norte-americanos e, naturalmente, em novelas mexicanas.

A produção Senda de Gloria (1991), da rede Televisa, fez uma espécie de …E o Vento Levou nacional, com a saga de uma família ao longo do conflito. Nos EUA, o espanhol Antonio Banderas estrelou o telefilme And Starring Pancho Villa as Himself (2003), em que uma equipe de Hollywood tenta convencê-lo a protagonizar um filme sobre sua própria vida. E Pancho Villa também apareceu no episódio piloto do seriado O Jovem Indiana Jones (1992), que contava as aventuras adolescentes do futuro arqueólogo antes de sair em busca de arcas perdidas e cálices sagrados.

Recentemente, o México – que, ironicamente, faz menos filmes sobre o tema do que os vizinhos mais ricos ao norte – homenageou seu herói nacional com Zapata: el sueño del héroe (2004), também com direção de Alfonso Arau.

Em 2011, o nome de Pancho Villa deve voltar aos letreiros, quando começarem as filmagens da nova cinebiografia do revolucionário e bandoleiro mexicano, desta vez pelas mãos do diretor sérvio Emir Kusturica. Mas a figura tradicional do gorducho bigodudo e heroico deve sofrer alterações, porque o cineasta escalou para viver o papel título um ator com outro physique du rôle: Johnny Depp.

O título provisório da empreitada é Os Sete Amigos de Pancho Villa e a Mulher de Seis Dedos, que começa a ser rodado no ano que vem na Espanha e tem previsão de estreia mundial para 2012. Além de um improvável Depp no papel-título, o elenco também conta com a mexicana Salma Hayek e os espanhóis Javier Bardem e Penélope Cruz. E, apesar da equipe multinacional, o diretor sérvio promete que o filme será todo falado em espanhol – o que, curiosamente, é quase uma raridade na filmografia sobre a Revolução Mexicana.

Veja a cronologia da Revolução Mexicana



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Revolução é tema recorrente do cinema, mais em Hollywood que no México

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