Terça-feira, 7 de abril de 2026
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Milhares de estrangeiros que compraram imóveis nos últimos anos na Espanha sem saber que as propriedades eram ilegais apresentarão uma petição ao governo espanhol e ao rei Juan Carlos I na próxima sexta-feira (6) para exigir justiça.

Quem está por trás da iniciativa é Suzanne Wyatt, uma aposentada britânica que representa principalmente os compradores que nem sequer puderam ocupar seus imóveis, obtendo apenas um papel carimbado em troca das economias da vida inteira.

 

“A maioria pagou há seis ou sete anos e perdeu tudo. Gastei 90.000 euros e não recebi nada”, diz Wyatt ao Opera Mundi. “Duvido que algum dia sejamos compensados. Mesmo nos poucos casos em que as pessoas venceram ações judiciais, as construtoras tiveram tempo de esconder o dinheiro e, por isso, não pagam nada”.

“Dezenas de milhares de pessoas foram afetadas. Nunca vi um caso dessas dimensões”, afirma Margrete Auken, deputada dinamarquesa do Parlamento Europeu. “As regras não foram respeitadas e a corrupção é desenfreada. Um grande problema é que o sistema judicial espanhol é muito lento e as pessoas não têm recursos para bancar ações”.

Auken denuncia que o governo espanhol tenta fugir do problema, apesar da aprovação no Parlamento Europeu, em março, de uma resolução proposta por ela ameaçando com sanções se os casos não fossem solucionados. Na semana passada, depois de muito lobby, membros espanhóis da Casa conseguiram impedir que a resolução fosse incluída no orçamento europeu. “Esperávamos bastante apoio. Eles perceberam isso e me enganaram, impedindo até mesmo a votação da moção. É uma vergonha”.

Os próprios países dos compradores parecem ignorar sua situação, como reclamaram todos com quem conversei. Maura Hillen, líder de um grupo de vítimas no Vale do Almanzora, no sudeste da Espanha, conta que “a embaixada britânica só respondeu a nossas cartas quando eu disse que você viria”.

Em Goa foi diferente

Ela acrescenta que essa atitude contrasta com a forte reação de Downing Street quando problemas similares surgiram na estância turística indiana de Goa. “Parece que eles preferem não fazer nada porque a Espanha é um membro importante da União Europeia”, afirma Hillen, em tom resignado, mas prometendo continuar na luta.

Diante desse quadro, várias organizações que representam as vítimas do esquema se reuniram no último sábado para pôr em prática uma coalizão nacional formada no ano passado. “Queremos organizar uma grande manifestação em novembro. Somos mais de 100.000 pessoas, não é possível que ninguém nos leve em conta”, diz Charles Svoboda, um diplomata canadense aposentado que lidera um grupo local em Valência, representando cerca de 30.000 vítimas.

“Este país não pode se resumir a (o tenista Rafael) Nadal e futebol”, afirmou ele. “Teoricamente, vivemos na União Europeia. Há muitas pessoas com problemas, elas perderam todas as suas economias, sua saúde foi prejudicada, é terrível. Se não resolverem isso, a imagem da Espanha como paraíso será perdida para sempre”.

(Atualizada para correção da data no primeiro parágrafo)

Revoltados, estrangeiros prejudicados na Espanha recorrem ao governo e ao rei

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