Segunda-feira, 6 de abril de 2026
APOIE
Menu

Horas após o Prêmio Nobel da Paz ser concedido a Barack Obama, o cineasta Michael Moore escreveu uma carta ao presidente, recomendando que, caso ele não consiga pôr um fim às guerras do Iraque e do Afeganistão, terá de viajar a Oslo para devolver a distinção conquistada.

“Estimado presidente Obama, não deixa de ser extraordinário que o senhor tenha sido reconhecido como um homem de paz […] porém, ninguém deixou de reparar na ironia do fato de o prêmio ter sido entregue dois dias após o nono aniversário da guerra no Afeganistão”, escreveu Moore.

Neste momento, acrescentou, “o senhor se encontra numa encruzilhada. Tem a opção de escutar os generais e expandir a guerra – com a possibilidade de uma derrota – ou pode acabar com a guerra de Bush e trazer as tropas para casa. Isso é o que faria um verdadeiro homem de paz”.

O cineasta é considerado um leal seguidor de Obama, mas sua reação reflete um pouco o nível de apreensão que surgiu na maior parte dos norte-americanos, de ambos partidos e todos os níveis sociais.

As opiniões estão divididas entre os que pensam que o presidente não fez nada pela paz mundial, os que acham que foi um prêmio precoce e os que o apóiam inteiramente e argumentam que é uma aposta no futuro, uma espécie de cheque ao portador sem que se conheça o montante dos fundos.

Democratas e Republicanos

Os dirigentes democratas mais importantes naturalmente felicitaram o presidente, mas dentro do partido, a demonstração não passou disso. E entre os republicanos, o repúdio foi intenso.

“O que o presidente realmente conseguiu até hoje?”, perguntou o presidente do partido republicano, Michael Steele. Em sua opinião, “é uma tristeza que a estrela que paira sobre o presidente tenha ofuscado muita gente que trabalha incansavelmente pela paz e pelos direitos humanos”.

O deputado federal republicano, Gresham Barrett, também tem duvidas sobre o prêmio. “Não sei o que agrada mais a comunidade internacional, se seu fracasso no Afeganistão, a intenção de eliminar o escudo anti mísseis na Europa Oriental, a falta de apoio aos combatentes pela liberdade nas Honduras, o diálogo com Fidel Castro, a permanência ao lado dos palestinos contra Israel ou o fato de ser fraco com o Irã”, afirmou Barrett.

Mesmo assim houve republicanos que felicitaram Obama. “Tendo em vista as circunstâncias, acho que o apropriado é dar-lhe os parabéns”, disse o governador do Minnesota, Tim Pawlenty.

Entre os que o apoiaram estão dois ex-prêmios Nobel. O ex-presidente Jimmy Carter, que pensa que a “comunidade mundial prestou hoje um grande reconhecimento” a Obama, e o ex vice-presidente Al Gore, que acredita que “só o que ele fez até agora pela paz já é suficientemente importante para ser reconhecido pela história”.

“Me parece de muito mau gosto que o presidente do partido republicano, que aplaudiu como uma derrota o fato de Chicago não ter sido escolhida para sediar as Olimpíadas de 2016, agora ataca Obama, o presidente de todos, no momento em que é reconhecido pela comunidade mundial”, comentou a senadora democrata Debbie Stabenow.

Revelação do Nobel da Paz causou sentimentos mistos nos EUA

NULL

NULL

NULL