Relatório Fazendas Aqui, Florestas Lá foi mal interpretado, diz Avoided Deforestation Partners
Relatório Fazendas Aqui, Florestas Lá foi mal interpretado, diz Avoided Deforestation Partners
Um relatório publicado pela União Nacional de Fazendeiros dos Estados Unidos, principal sindicato rural norte-americano, em parceria com o grupo Avoided Deforestation Partners (Parceiros para o Desmatamento Evitado), provocou fortes reações de algumas das mais importantes organizações ambientalistas nos EUA e no Brasil, como mostrou reportagem publicada nesta quinta-feira (25/6) pelo Opera Mundi.
Com o título “Fazendas Aqui, Florestas Lá – Desmatamento Tropical e Competitividade Americana na Agricultura e na Madeira”, o documento diz que preservar a Amazônia tem uma grande vantagem para os fazendeiros americanos: refrear a concorrência de commodities agrícolas produzidas no Brasil, além de proteger empregos americanos. Um vídeo publicado pela organização lobista é ainda mais explícito.
Assista a propaganda do grupo Avoided Deforestation Partners (em inglês)
Algumas das principais ONGs ambientalistas americanas mostraram irritação com o estudo, afirmando que o “relatório é baseado na suposição, totalmente infundada, de que o desmatamento nos países tropicais poderá ser facilmente interrompido, e suas conclusões são, por conseguinte, igualmente irrealistas”.
Em entrevista concedida ao Opera Mundi, o pesquisador Glenn Hurowitz, da Avoided Deforestation Partners, disse que o relatório “Fazendas Aqui, Florestas Lá” tem sido mal interpretado.
“Nos Estados Unidos, pode ser difícil ganhar o apoio de muitos legisladores para políticas como conservação de florestas que primordialmente beneficiam outros países – a menos que você consiga demonstrar que essas políticas vão beneficiar também os EUA”, afirmou.
Entre as empresas que participam da coalizão Avoided Deforestation Partners estão algumas das maiores poluidoras do setor elétrico americano: Duke Energy, PG&E, El Paso Gas e American Electric Power, a maior produtora de energia elétrica a carvão do país.
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A reação negativa não foi apenas de ambientalistas norte-americanos. Na quarta-feira, onze grupos ambientalistas, entre eles WWF Brasil, Fundação SOS Mata Atlântica, Fórum Carajás, Greenpeace e Instituto Socioambiental emitiram uma nota repudiando o estudo, que para elas “desconhece a realidade brasileira”.
O estudo estaria “equivocado ao assumir que o fim do desmatamento por aqui significaria paralisar a expansão da produção de commodities agrícolas a preços competitivos”.
Segundo Glenn Hurowitz, o relatório apresentava apenas uma “discussão conceitual” e não buscava analisar os efeitos da proteção de florestas no Brasil. O Brasil pode ser o principal beneficiário da política de conservação, podendo ter uma receita de até 306 bilhões de dólares em 2030 com a redução do desmatamento, disse.
O pesquisador também elogia a agricultura brasileira, que diz ter crédito nos últimos anos apesar da queda nos índices de desmatamento. “A redução da extração ilegal de madeira e a conservação de terras no Brasil têm trazido enormes benefícios para a agricultura brasileira e a indústria madeireira. Os consumidores no Mercado global querem cada vez mais alimentos e madeira de fontes sustentáveis e não de desmatamento”.
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O grupo Avoided Deforestation Partners tem sido um dos mais ativos no lobby pela lei.
Um dos objetivos do grupo é permitir que os acordos sejam feitos diretamente com governos estaduais ou com proprietários privados em outros países – no Brasil, por exemplo, uma empresa americana poderia negociar diretamente com o governo do Amazonas ou Pará.
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