Relatório de inquérito militar nega falhas e justifica mortes de ativistas na Flotilha
Relatório de inquérito militar nega falhas e justifica mortes de ativistas na Flotilha
Os soldados israelenses estavam certos em abrir fogo contra os ativistas que levavam ajuda humanitária na Flotilha da Liberdade no dia 31 de maio, conclui o relatório do inquérito militar divulgado nesta segunda-feira (12/7) em Tel-Aviv. Não foram recomendadas punições para os militares. A operação resultou em nove ativistas turcos mortos.
“O recurso a abrir fogo foi justificado”, concluiu o relatório da investigação, que durou 40 dias.
De acordo com o documento, os soldados que participaram da operação e mataram os civis turcos “agiram adequadamente, com profissionalismo, coragem e desenvoltura”, segundo a agência de notícias palestina Ma'an.
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Para o inquérito, os verdadeiros problemas na abordagem foram “erros de planejamento e de inteligência”, que não conseguiu coletar informações a respeito do carregamento e dos tripulantes do navio turco Mavi Marmara.
“Os cursos alternativos de ação poderiam ter existido se o processo de preparação começasse com bastante tempo de antecedência”, alegou o relatório.
Ainda assim, segundo o jornal israelense The Jerusalem Post, o chefe da investigação, major-general Eiland Ashkenazi, criticou a marinha israelense por não elaborar um “plano B” para a operação, que deveria ter reconsiderado a descida das tropas no convés do Mavi Marmara, após perceber que havia dezenas de ativistas a bordo preparados para resistir à interceptação.
“Quando eles viram que havia dezenas de pessoas no convés, o rapel poderia ter sido evitado”, concluiu o documento.
Nas 100 páginas do relatório, a comissão de inquérito afirma que a marinha de Israel não tem tecnologia que permitisse parar o navio sem a abordagem com os soldados. O texto pondera que até é possível desenvolver essa capacidade, mas isto demoraria cerca de dois anos.
Efeito contrário
O jornal israelense Haaretz lembrou que a comissão Eiland foi a primeira a completar a investigação sobre o caso. Outro inquérito, a cargo do chamaso “Comitê Turkel”, nomeado pelo governo para examinar se a operação respeitou o direito internacional, começou os trabalhos há poucos dias. Já uma equipe do gabinete do Corregedor do Estado vai dar início a uma terceira investigação “em breve”.
As críticas publicadas no relatório – bem como o elogio aos soldados que participaram do ataque – vêm sendo amplamente expressadas dentro de Israel desde o episódio. Mas, segundo o jornal libanês Daily Star, o ataque também teve um efeito oposto ao pretendido Israel: concentrou a atenção internacional sobre o bloqueio à Faixa de Gaza e obrigou Israel a facilitar a circulação de mercadorias por meio da fronteira terrestre com o Egito.
Segundo o relatório, a interceptação militar atingiu seu objetivo: evitar que o barco turco se aproximasse das costas da Faixa de Gaza, que vive sob bloqueio imposto por Israel desde junho de 2007. A Flotilha da Liberdade carregava mantimentos, medicamentos, equipamento hospitalar e material escolar.
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