Domingo, 3 de maio de 2026
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Os soldados israelenses estavam certos em abrir fogo contra os ativistas que levavam ajuda humanitária na Flotilha da Liberdade no dia 31 de maio, conclui o relatório do inquérito militar divulgado nesta segunda-feira (12/7) em Tel-Aviv. Não foram recomendadas punições para os militares. A operação resultou em nove ativistas turcos mortos.

“O recurso a abrir fogo foi justificado”, concluiu o relatório da investigação, que durou 40 dias.

De acordo com o documento, os soldados que participaram da operação e mataram os civis turcos “agiram adequadamente, com profissionalismo, coragem e desenvoltura”, segundo a agência de notícias palestina Ma'an.

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Para o inquérito, os verdadeiros problemas na abordagem foram “erros de planejamento e de inteligência”, que não conseguiu coletar informações a respeito do carregamento e dos tripulantes do navio turco Mavi Marmara.

“Os cursos alternativos de ação poderiam ter existido se o processo de preparação começasse com bastante tempo de antecedência”, alegou o relatório.

Ainda assim, segundo o jornal israelense The Jerusalem Post, o chefe da investigação, major-general Eiland Ashkenazi, criticou a marinha israelense por não elaborar um “plano B” para a operação, que deveria ter reconsiderado a descida das tropas no convés do Mavi Marmara, após perceber que havia dezenas de ativistas a bordo preparados para resistir à interceptação.

“Quando eles viram que havia dezenas de pessoas no convés, o rapel poderia ter sido evitado”, concluiu o documento.

Nas 100 páginas do relatório, a comissão de inquérito afirma que a marinha de Israel não tem tecnologia que permitisse parar o navio sem a abordagem com os soldados. O texto pondera que até é possível desenvolver essa capacidade, mas isto demoraria cerca de dois anos.

Efeito contrário

O jornal israelense Haaretz lembrou que a comissão Eiland foi a primeira a completar a investigação sobre o caso. Outro inquérito, a cargo do chamaso “Comitê Turkel”, nomeado pelo governo para examinar se a operação respeitou o direito internacional, começou os trabalhos há poucos dias. Já uma equipe do gabinete do Corregedor do Estado vai dar início a uma terceira investigação “em breve”.

As críticas publicadas no relatório – bem como o elogio aos soldados que participaram do ataque – vêm sendo amplamente expressadas dentro de Israel desde o episódio. Mas, segundo o jornal libanês Daily Star, o ataque também teve um efeito oposto ao pretendido Israel: concentrou a atenção internacional sobre o bloqueio à Faixa de Gaza e obrigou Israel a facilitar a circulação de mercadorias por meio da fronteira terrestre com o Egito.

Segundo o relatório, a interceptação militar atingiu seu objetivo: evitar que o barco turco se aproximasse das costas da Faixa de Gaza, que vive sob bloqueio imposto por Israel desde junho de 2007. A Flotilha da Liberdade carregava mantimentos, medicamentos, equipamento hospitalar e material escolar. 



  

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Relatório de inquérito militar nega falhas e justifica mortes de ativistas na Flotilha

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