Relatório da AI aponta descaso com imigrantes no México
Relatório da AI aponta descaso com imigrantes no México
A ONG Anistia Internacional afirmou nesta quarta-feira (28/4) que as autoridades mexicanas “não fazem nada” para deter as ações de organizações criminosas contra os estrangeiros que ingressam ilegalmente no país.
De acordo com um relatório da entidade, os dirigentes “devem agir para deter os contínuos abusos de imigrantes, que são vítimas de grupos criminosos enquanto as autoridades fecham os olhos”, além de “inclusive participar ativamente de sequestros, estupros e assassinatos”.
EFE

Visitante observa fotos de imigrantes em exposição organizada pela AI para denunciar descaso
Com o título de “Vítimas Invisíveis: migrantes em movimento no México”, o documento da ONG de defesa dos direitos humanos foi elaborado a partir de entrevistas com imigrantes, dirigentes e organismos públicos sobre a situação dos estrangeiros sem documentação que cruzam o México para tentar chegar aos Estados Unidos.
“Quase metade das vítimas entrevistadas disseram que as autoridades estiveram envolvidas em seus sequestros”, esclareceu a AI, que também afirmou que seis de cada dez mulheres e crianças clandestinas sofreram abusos sexuais durante o trajeto.
Sobre os mexicanos que vivem nos EUA, o informe ressaltou o trabalho do governo local na defesa de seus cidadãos, mas advertiu que o respeito aos direitos dessa população é considerado como de “baixa prioridade para muitas autoridades”.
Segundo dados da Comissão dos Direitos Humanos do México, cerca de 500 mil imigrantes ilegais atravessam o território mexicano anualmente. Ainda de acordo com os números dessa instituição, em 2009, os sequestros de estrangeiros em troca de recompensa alcançaram cifras sem precedentes, cerca de 10 mil em um semestre.
Mea culpa
Também nesta quarta-feira, o presidente mexicano, Felipe Calderón, admitiu “erros” nas estratégias do governo para combater o narcotráfico. Desde dezembro de 2006, ele promove uma “guerra” contra os grupos armados gerando um quadro de violência que causou ao menos 22.700 assassinatos, segundo fontes oficiais.
Em um discurso em Monterrey, capital da província de Nuevo León, na fronteira com o Texas, o presidente admitiu que a atuação do governo poderia ser melhor, mas assegurou que “não vai desistir” do combate ao crime.
“Vale a pena seguir em frente porque se trata de defender os cidadãos, porque a força do Estado é superior e pode ser mais bem empregada. Sobretudo, se conta com o apoio da cidadania, é uma força invencível porque conta com a presença, informação que pode definitivamente derrotar a ação do crime organizado”, afirmou.
NULL
NULL
NULL























