Relação com União Europeia e questão nuclear podem azedar coalizão no Reino Unido
Relação com União Europeia e questão nuclear podem azedar coalizão no Reino Unido
Assim que o líder trabalhista britânico, Gordon Brown, apresentou a demissão à rainha Elizabete II, ela o presenteou com duas molduras feitas em uma loja da famosa Bond Street, com sua fotografia assinada. Terminavam ali 13 anos de administração dos trabalhistas, e começava o novo governo liderado pelo conservador David Cameron, com apoio liberal-democrata.
Cameron e seu agora vice, Nick Clegg – um dos cinco novos ministros liberal-democratas – selaram o pacto ao se cumprimentarem hoje (12/5) em frente ao número 10 da rua Downing, gabinete e residência oficial do chefe de governo, em Londres. Apesar de os dois terem se formado em escolas de elite e virem de famílias abastadas – o primeiro é filho de um corretor da bolsa de valores e o segundo, do presidente de um banco imobiliário –, representam espectros políticos radicalmente opostos, que agora se vêem forçados a se entender.
Daniel Deme/Efe

Cameron e Clegg: semelhanças quanto à regulação de bancos, mas discordância no relacionamento com a UE
A pergunta que paira sobre as cabeças dos britânicos é se esse matrimônio vai durar, já que esta é a primeira coalizão em 70 anos. Por hora, parece que sim. Os tories aceitaram a realização de um referendo popular sobre a reforma do sistema eleitoral, uma velha aspiração dos liberal-democratas. Em troca, poderão cumprir sua promessa de reduzir o déficit este ano em 6 milhões de libras (15,6 milhões de reais), sujeito à aprovação do Banco Central e do Tesouro. Os liberal-democratas advertiram durante a campanha que os cortes provocariam outro recessão, porém, agora os veem como uma forma de evitar o contágio da crise grega no país.
Os conservadores se comprometeram a “aumentar substancialmente” o limite do imposto de renda para proteger os mais pobres, cujo valor foi estabelecido pelos liberal-democratas em 10 mil libras, ou 26 mil reais. No entanto, esse patamar só deve ser alcançado quando as condições econômicas permitirem.
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Para pagar essa medida, será mantido o imposto sobre herança entre os mais ricos e aumentará o imposto para bens de capital não relacionados à empresa, com o objetivo de não desencorajar o investimento empresarial. Os tories também continuarão o plano trabalhista de aumentar em um ponto percentual a contribuição à previdência social dos empregados em 2011, mas não a das empresas.
Divergências
A ideia é a de que o governo se mantenha por até cinco anos. Porém, para o professor de política Wyn Grant, da Universidade Warwick, na Inglaterra, esse não deve ser o caso. “Haverá tensões, calculo, dentro de 12 ou 18 meses, quando surgirem temas relacionados à Europa e questões nucleares”, afirmou ao Opera Mundi. Segundo ele, os tories defendem o desenvolvimento da energia nuclear e a modernização dos submarinos nuclares Trident, e se opõem a uma maior integração do Reino Unido com a União Europeia. Tanto que o conservador William Hague, declaradamente cético quanto à relação com os europeus, foi nomeado ministro das Relações Exteriores.
Dentre esses temas, o mais espinhoso é o da União Europeia, segundo o professor. Para ele, apesar de os dois partidos concordarem em realizar um referendo antes de concederem maiores poderes à Bruxelas, problemas menores poderiam polarizar os debates em Westminster, desgastando o relacionamento conservador e LibDem.
Contudo, a proposta dos LibDems de uma maior regulação dos bancos não deve trazer conflitos, na opinião de Grant. Isso porque ambos partidos concordam em extrair mais dinheiro das instituições financeiras. Além do que – conforme explicou o professor – “os liberal-democratas fizeram propostas sem imaginar que iriam governar. Agora devem aterrissar logo na realidade.”
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