Quarta-feira, 20 de maio de 2026
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Após uma semana de protestos populares sem precedentes, o regime do coronel Muamar Kadafi, que dirige a Líbia há 42 anos, começa a apresentar fraquezas, perde uma parte significativa de sua base de apoio e também o controle sobre uma porção do território.

Informações provenientes das mais varadas fontes confirmam que amplas regiões do país, em especial ao leste, começam a se libertar do domínio do regime de Trípoli.

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Um jornalista líbio que trabalha em Benghazi, a segunda maior cidade do país, com mais de 1,5 milhão de habitantes, informou nesta quarta-feira (23/02) que a região compreendida entre as fronteiras do Egito e a localidade de Jedabia já não está mais sob o controle do governo central.

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Em declarações à emissora de televisão Al Jazeera, o jornalista citou textualmente as cidades de Benghazi, Derna, El Beida, Mesrata, Tobruk e El Merdj e afirmou que todas estas localidades foram “libertadas”.

A notícia foi repetida pelo chefe da diplomacia italiana, Franco Frattini, e pelo ex-ministro da Justiça líbio Mustafa Abdel Jalil, que renunciou há três dias para protestar contra a repressão aos manifestantes.

Na cidade de Benghazi, segundo o jornal Quryna, as autoridades locais desistiram de exercer suas funções devido à pressão das ruas e os habitantes decidiram assumir os assuntos da cidade. Comitês populares foram constituídos para solucionar algumas questões, tais como a recuperação das armas utilizadas por alguns manifestantes em ataques aos quartéis e delegacias de polícia.

Os revoltosos também chamaram para si a tarefa da proteção dos bens públicos e privados, assim como a conscientização dos comerciantes para que abram seus negócios e evitem aumentar o preço dos artigos alimentícios.

A maior fragilidade do regime de Kadafi se materializou na renúncia do ministro do Interior e antigo companheiro de armas, o general Abdul Fatah Younis. Trata-se do terceiro membro do gabinete que renuncia como reação à violenta repressão da população líbia.Younis anunciou que deixou todas as funções oficiais e fez um chamado aos soldados e às forças da ordem para aderirem à “revolução”.

O general confirmou a intenção do líder líbio ao indicar, em uma declaração ao Quryna, que Kadafi o informou pessoalmente de um plano para bombardear a população de Benghazi. Younis afirma que suplicou ao coronel para que ele cancelasse a operação.

Por outro lado, segundo as mesmas fontes, um avião de combate de fabricação russa Sukhoi 22 caiu nesta quarta-feira na região de Jedabia depois que seus dois pilotos saltaram de paraquedas ao recusarem a ordem de bombardear Benghazi.

A renúncia dos ministros foi precedida pela de inúmeros diplomatas e embaixadores líbios e por vários oficiais e tropas do exército que aderiram aos protestos.

Kadafi, que mostrou muita irritação e obstinação em um discurso divulgado na tarde de terça-feira, quando ameaçou matar seus oponentes e os que reivindicam sua queda, o que teria provocado perda de apoio e a legitimidade nas chancelarias estrangeiras.

Vários países que iniciaram a retirada de seus cidadãos condenaram firmemente a brutal repressão dos manifestantes e reivindicam sanções internacionais contra o regime líbio.

Kadafi e seus partidários são acusados de assassinar centenas de pessoas e segundo um balanço divulgado nesta quarta-feira por Sayed al Shanuka, representante líbio no Tribunal Penal Internacional (TPI), pelo menos 10 mil pessoas teriam perdido a vida desde o começo das manifestações no país norte-africano.

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Regime de Kadafi é enfraquecido e perde controle de parte do país

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