Refugiados devem 34,5 milhões de dólares ao governo canadense
Refugiados devem 34,5 milhões de dólares ao governo canadense
As adversidades da guerra civil da Somália trouxeram Fatumo e família ao Canadá. Senhora de mais de 80 anos e mãe de seis filhos, ela desembarcou no país em 2007, depois de 16 anos de refúgio no Quênia.
Dois meses após sua chegada, e ainda se adaptando aos desafios da nova vida, ela recebeu um aviso do Departamento de Cidadania e Imigração do Canadá. Fatumo deveria começar a pagar o empréstimo concedido pelo governo canadense para que ela cobrisse as despesas de viagem. Sem dinheiro para isso, hoje, ela é considerada inadimplente, assim como
cerca de 10% dos refugiados que receberam o crédito.
O débito de somaliana é apenas uma parcela dos 34,5 milhões de dólares canadenses (cerca de R$ 62 milhões) que milhares de estrangeiros que vieram ao Canadá em busca de refúgio devem ao governo do país. Por terem poucos recursos financeiros, essas pessoas recorreram a um fundo de 110 milhões de dólares mantido pela Imigração pagar viagem, exames médicos ou outras despesas essenciais. Os refugiados recebem até 10 mil dólares em crédito com prazo de pagamento de seis anos. Agora, com os débitos, sofrem com restrições por terem os nomes incluídos em listas de não-pagadores.
O reflexo desta situação é o surgimento de diversas campanhas nacionais que pedem o perdão da dívida. Uma delas, liderada pelo Conselho Canadense de Refugiados (CCR), traz a somaliana Fatumo como exemplo de imigrante marginilizado e empobrecido pelo débito com o governo.
“Como podemos pagar o empréstimo quando não temos nem um emprego?”, pergunta Fatumo. Com os filhos ainda pequenos, ela não vê saída para sua situação de devedora enquanto mal consegue andar devido a problemas de saúde. “Aqueles que me trouxeram aqui sabem que vivemos com o dinheiro que eles [igrejas e entidades] nos fornecem”.
A organização não-governamental First Call é outra entidade da sociedade civil que pressiona o governo canadense pela anistia. Para a ONG, o Canadá tem recursos para arcar com as despesas de viagem de todos os cerca de 30 mil refugiados que chegam ao país todo ano. Isto significaria um custo anual de 13 a 15 milhões de dólares, segundo cálculos da entidade. “Um país rico como o Canadá pode muito bem acolher refugiados, sem pedir-lhes para repor o custo de trazê-los aqui”, afirma a ONG em sua campanha.
Política de imigração
A porta-voz da Cidadania e Imigração do Canadá, Kelli Fraser, afirma que o governo revê regularmente suas ações e não descarta mudanças em relação aos refugiados. Entretanto, Fraser explica que o reembolso ao fundo é essencial para garantir a continuidade da ajuda financeira aos novos requerentes. “A qualquer momento, pessoas que enfrentam dificuldades podem pedir a revisão da sua dívida, de forma a não criar novos encargos”, declarou ela ao Opera Mundi.
O descontentamento em relação às políticas de imigração atinge até mesmo o primeiro-ministro Stephen Harper. Em sua última visita ao México, no dia 10, ele sinalizou reformas nas leis referentes aos refugiados já que, segundo ele, elas incentivam falsas alegações.
Em discurso, Harper referiu-se à legislação que obriga o governo a ouvir formalmente qualquer pessoa que esteja em solo canadense e solicite refúgio. A exigência se tornou artifício de imigrantes ilegais, que usam o período de espera pela audiência para criar vínculos e se estabelecer no Canadá.
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