Redução de barreiras e equilíbrio da balança comercial são metas durante visita de Obama ao Brasil
Redução de barreiras e equilíbrio da balança comercial são metas durante visita de Obama ao Brasil
A visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil traz à tona a discussão sobre as relações comerciais entre os países, que desde 2008 registram uma balança favorável aos norte-americanos.
O ritmo acelerado de crescimento da economia brasileira, a valorização do real e nem mesmo a crise econômica global, que prejudicou principalmente os EUA, foram suficientes para equiparar a balança. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, desde 2008 os EUA já exportaram 13,65 bilhões de dólares a mais do que importaram para o Brasil.
Nos anos seguintes, porém, barreiras comerciais e a valorização do real prejudicaram ainda mais o desempenho brasileiro, segundo analistas. Em 2009, os resultados foram negativos na recuperação pós-crise. Em 2010, o pior resultado da história entre os países foi registrado, com um déficit de 7,73 bilhões de dólares para o Brasil.
Isso porque com a valorização da moeda brasileira o dólar passou a valer menos, encarecendo as exportações brasileiras e barateando os produtos norte-americanos pagos em real.
Para agravar ainda mais a situação, os EUA insistem em manter barreiras comerciais a produtos brasileiros. Atualmente, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior produtos como suco de laranja, álcool etílico, açúcar, fumo, carne de frango, bovina e suína, frutas, vegetais e siderurgia e ferro-Ligas estão sujeitos a barreiras comerciais norte-americanas nas exportações.
Enquanto as carnes brasileiras são submetidas a barreiras por conta da falta de acordos sanitários entre as partes, a tarifa de 0,0785 dólares/litro imposta as exportações de suco de laranja produzido no Brasil, impede que o país ocupe todo o mercado norte-americano no setor, o que renderia um ganho total de mais de um bilhão de dólares.
O subsídio ao etanol, aliado a uma tarifa de importação de 54 centavos de dólar por galão (equivalente a 3,78 litros), que acaba sobretaxando o produto brasileiro, é outra reclamação antiga.
A eliminação destes subsídios depende de aprovação do Congresso norte-americano, que atualmente está dividido com a oposição republicana no comando da Câmara dos Representantes, o que aumenta a resistência neste setor.
As imposições, porém, não são unilaterais e o Brasil também usufrui de barreiras contra as importações em alguns setores como forma de proteger e incentivar a produção local com regras de licitação pública favorecendo empresas nacionais.
Em 2009, depois de uma disputa de sete anos, a OMC (Organização Mundial do Comércio) autorizou o Brasil a retaliar os Estados Unidos em 829 milhões de dólares pelos subsídios concedidos aos produtores de algodão. Um ano depois, os dois países firmaram um acordo para evitar novas retaliações.
Em janeiro deste ano o governo de Obama fez a mais dura crítica até agora sobre a onda de medidas protecionistas no Brasil. As declarações foram feitas pelo embaixador dos Estados Unidos na OMC, Michael Punke, que acusou o Brasil de “furar os olhos dos parceiros comerciais” e alertou que o governo de Dilma Rousseff terá de promover uma “mudança de atitude” se quiser fechar acordos com os EUA.
Negociações
Em meio a este cenário, agravado pela taxa de desemprego norte-americana, atualmente em 9%, Obama chega a Brasília neste sábado (19/03) disposto a promover novos negócios e a intensificar as relações comerciais com a América Latina, em especial com o Brasil.
Acompanhado de ministros e uma comitiva de empresários, o presidente norte-americano focará possíveis investimentos nas áreas de energia, turbinada pelas descobertas de petróleo na camada do pré-sal; de infra-estrutura, com a expectativa em torno da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016; e de alta tecnologia, segundo a Casa Branca.
O Brasil, por sua vez, pretende firmar acordo que reduzam as barreiras comerciais impostas aos produtos locais. Além disso, um dos principais objetivos do governo brasileiro é caminhar para o equilíbrio da balança comercial, que atualmente registra um déficit de oito bilhões de dólares.
Em 2010, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Brasil foi o país onde as importações mais cresceram no mundo, registrando um aumento de 40%.
Durante a visita de Obama, um dos temas mais delicados é a determinação do Teca (Tratado de Cooperação Econômica, na siga em inglês), que estabelece um mecanismo bilateral, em nível ministerial, para que as barreiras ao comércio e aos investimentos nos EUA e no Brasil sejam discutidas e resolvidas.
A dificuldade para a aprovação deve-se às barreiras sanitárias a produtos como carnes e frutas brasileiras, já que as legislações nesses setores não são compatíveis.
China
Além das relações comerciais entre Brasil e EUA, Dilma pretende discutir com o Obama a relação norte-americana com a China. Segundo a Agência Brasil, Ministério do Desenvolvimento quer abordar com o presidente norte-americano a invasão das exportações chinesas, sobretudo de produtos de cada vez melhor qualidade e maior valor agregado.
Desde 2010, a China vem ameaçando os EUA ao deixar a Alemanha para trás, se aproximar dos norte-americanos e ocupar a segunda posição em exportações de máquinas e equipamentos ao Brasil, de quem é o principal parceiro comercial.
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