Quarta-feira, 8 de abril de 2026
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As duas primeiras versões do “Compromisso de Caracas”, cuja adoção deve encerrar o 1º. Encontro Internacional de Partidos de Esquerda, enfrentam críticas do Partido dos Trabalhadores, expressadas pelo seu secretário de Relações Internacionais, Valter Pomar.

Ele já adiantou ao Opera Mundi que “se o texto ficar desse jeito, o PT não vai assiná-lo”, sublinhando, porém, a necessidade de esperar a publicação do texto final para se pronunciar oficialmente.

Um dos pontos polêmicos a criação de “uma secretaria política de coordenação que garanta o funcionamento de uma rede de contatos entre os partidos de esquerda, as organizações populares e os governos progressistas”. Para Valter Pomar, a idéia de criar uma secretaria política ou uma Quinta Internacional não é uma boa solução para coordenar a ação dos partidos de esquerda.

“Consideramos que a intenção é nobre, mas não estamos de acordo”, declarou ao Opera Mundi. Ele considera que “a experiência das Internacionais anteriores, a experiência das organizações partidárias atualmente existentes e as atuais condições do movimento socialista, indicam que construir uma Internacional não é a melhor maneira de coordenar os esforços da esquerda mundial”.

“Nós precisamos de unidade de ação e coordenação nas ações práticas. Não precisamos criar novas instituições. As organizações que existem são plenamente capazes de dar conta das tarefas”, afirma o secretário de Relações Internacionais do PT. Ele lembra da existência do Foro de São Paulo, que reune mais de 60 partidos de esquerda da América Latina.

Contra-ofensiva da direita

Valter Pomar também lamentou o tom bélico das primeiras versões do “Compromisso de Caracas”, que giram, em grande parte, em torno da instalação das bases americanas na Colômbia. Para ele, a esquerda cai numa armadilha quando superestima o caráter militar do confronto com os governos e partidos conservadores.

“Existe uma contra-ofensiva da direita latino-americana e dos Estados Unidos. Esta contra-ofensiva é política, não militar”, assegura Pomar. Sublinha que até os elementos militares, como as bases na Colômbia ou a reativação da Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos na América do Sul e Caribe, constituem elementos da contra-ofensiva política.

“Superestimar este aspecto, dar-lhe um caráter central, constitui um erro político”, acrescenta Pomar dizendo que tinha “encaminhado ao PSUV a opinião do PT, pedindo para que alterassem o texto”.

Apesar das discordâncias, o secretário de Relações Internacionais insiste no fato que o PT respeita as decisões do PSUV. “Se eles desejam impulsionar uma organização, é direito deles. O que nos interessa é que continuem participando do Foro de São Paulo”, declara.

PT discorda de posição venezuelana

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