Sábado, 25 de abril de 2026
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Julian Abram Wainwright/Efe

Manifestantes que buscam derrubar o atual governo da Tailândia, conhecidos como “camisas vermelhas”, desfilaram hoje (12/4) por Bangcoc, capital do país, com os caixões dos companheiros mortos nos confrontos do fim de semana com as forças de segurança.

Os corpos de duas das vítimas, à vista de todos em um caminhão, abriam a caravana que se estendeu por quilômetros. Representando os outros mortos, desfilavam 16 carros com caixões vazios, adornados com guirlandas, bandeiras vermelhas e símbolos tailandeses.

Milhares de pessoas se juntaram aos membros da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, a plataforma que reúne os seguidores do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra. “Nunca negociaremos com assassinos. É nossa obrigação honrar os que morreram pela democracia neste país”, destacou Jatuporn Prompan, um dos dirigentes da Frente Unida, que quer a convocação imediata de eleições.

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No sábado (10/4), 21 pessoas morreram e mais de 850 ficaram feridas quando manifestantes e forças de segurança entraram em confronto perto de um dos principais pontos turísticos da capital. No embate, morreram quatro militares, 16 camisas vermelhas e um cinegrafista japonês da Reuters que cobria os protestos, iniciados em 14 de março.

Revés para o governo

Para agravar a crise, a Comissão Eleitoral recomendou ao Tribunal Constitucional a dissolução do Partido Democrata, o principal da coalizão que governa o país, por um caso de financiamento ilegal. A comissão decidiu, por cinco votos a favor e quatro contra, levar o caso à Promotoria e pedir no Tribunal Constitucional a suspensão do partido, chefiado pelo primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva.

Com as ruas de Bangcoc ocupadas pela manifestação, o primeiro-ministro se dirigiu à nação pelos canais de televisão estatais. No discurso, culpou um terceiro grupo, que não identificou, como o responsável por ter iniciado o tiroteio no confronto. “Os terroristas utilizaram os manifestantes para criar os graves distúrbios. Uma vez que os identificarmos, nos encarregaremos de que assumam a responsabilidade pelo que fizeram”, disse Vejjajiva, que anunciou a criação de uma comissão para investigar o ocorrido.

O partido Puea Thai, o principal de oposição, pediu hoje a realização de eleições dentro de três ou seis meses, em vez dos nove que o governo propôs – sem sucesso – aos camisas vermelhas.

Exército

O chefe do Exército, o general Anupong Paochinda, também se mostrou propício, pela primeira vez, a recorrer às urnas caso não apareçam soluções à crise política. “A dissolução do Parlamento reduzirá a tensão durante um tempo, mas não resolverá os enfrentamentos políticos e o problema fundamental do consenso para governar”, comentou Charnvit Kasertisiri, ex-reitor da Universidade de Thammasat.

Embora sem citar expressamente nomes, vários acadêmicos concordaram em um debate na televisão que o presidente do Conselho de Estado, Prem Tinunlasonda, é a única pessoa com autoridade para negociar uma saída com Shinawatra.

Poucos esperam a mediação do rei Bhumibol Adulyadej, de 82 anos, como em situações críticas anteriores vívidas na Tailândia.

A maioria das embaixadas recomenda que não se viaje para a Tailândia. A China chegou a cancelar 40 voos fretados para turistas que celebrariam o ano novo tailandês.

A Bolsa de Valores de Bangcoc fechou hoje com recuou acentuado de 3,64%, com os investidores preocupados com o caráter violento que a mobilização antigovernamental tomou e com a iminência das festas de novo ano, que começam amanhã.

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