Domingo, 10 de maio de 2026
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O movimento de protesto continua na Geórgia, apesar da promessa feita pelo governo de retirar o projeto de lei que deu origem à contestação. Milhares de pessoas voltaram a se manifestar na noite de quinta-feira (09/03) diante do Parlamento, em Tbilisi.

O projeto de lei previa classificar como “agentes estrangeiros” as ONGs e veículos de comunicação que tiverem mais de 20% de seu financiamento proveniente de países ou organizações estrangeiras. O texto é acusado pela oposição no país de se inspirar em uma lei usada pela Rússia para reprimir opositores ao regime do Kremlin.

Nesta sexta-feira (10/03), os manifestantes entrevistados pela RFI estavam orgulhosos por terem feito o governo ceder. Agora, eles exigem a liberação de 133 pessoas detidas após as manifestações de terça e quarta-feira. O objetivo é manter a pressão sobre o partido que está no poder, o Sonho Georgiano.

O Parlamento começou o procedimento para retirar formalmente a lei sobre os “agentes estrangeiros”, na noite de quinta-feira. Mas os manifestantes desconfiam do governo, que já descumpriu promessas no passado.

Os deputados georgianos rejeitaram o projeto de lei durante uma sessão no Parlamento: 35 dos 36 votavam pela retirada do texto em segunda leitura.

Mão anti-russa

O Kremlin e a diplomacia russa afirmaram na sexta-feira que a mão “anti-russa” do Ocidente está por trás dos protestos na Geórgia e disseram que os eventos eram uma tentativa de golpe.

O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, disse em entrevista à televisão russa que as manifestações se pareciam com a revolução ucraniana de 2014, conhecida como Maidan, que Moscou considera um golpe orquestrado pelo Ocidente.

Manifestantes exigem liberação de 133 pessoas detidas após protestos; objetivo é manter pressão sobre partido que está no poder, o Sonho Georgiano

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Nodar Rukhadze/Twitter

Manifestantes desconfiam do governo, que já descumpriu promessas no passado

“Os acontecimentos na Geórgia são obviamente orquestrados do exterior”, disse numa alusão aos países europeus e aos EUA, acreditando que “a intenção é criar uma revolta nas fronteiras russas”.

O Kremlin havia dito anteriormente que viu “a mão” dos Estados Unidos por trás do “sentimento anti-russo” dos manifestantes georgianos, porque a presidente da Geórgia, Salome Zurabishvili, que apoia os protestos, estava nos Estados Unidos à época.

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Ela “se dirige ao seu povo não da Geórgia, mas da América”, martelou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov.

Aspirações europeias

Além dessa lei, muitos georgianos estão preocupados ao ver seu governo se afastar de suas aspirações pró-europeias e temem uma reaproximação com a Rússia.

O pequeno país do Cáucaso, de apenas quatro milhões de habitantes, ainda tem marcas da guerra perdida para a Rússia em 2008.

O porta-voz do Kremlin garantiu na sexta-feira que a Rússia “não tem nada a ver” com o controverso projeto de lei, acrescentando que Moscou “não interfere nos assuntos internos da Geórgia”.

A Rússia patrocina duas regiões separatistas na Geórgia, Abkházia e Ossétia do Sul, cuja independência reconheceu após a guerra de 2008.