Quarta-feira, 6 de maio de 2026
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As expulsões de cerca de 1.000 ciganos promovidas pelo governo da França nos últimos meses provocaram protestos reunindo milhares de pessoas em diversas cidades europeias. O maior deles ocorreu em Paris, onde a organização estima que 50 mil pessoas – 12 mil nas contas da polícia – saíram às ruas. Grupos de cerca de 50 a 100 pessoas se mobilizaram perto das embaixadas e consulados franceses em cidades como Lisboa, Madri, Barcelona e Roma ao longo do dia.

Em Paris, o protesto teve início às 14h30 (9h30 de Brasília) com a presença de ciganos de Choisy-le-Roi, onde em 12 de agosto, nesse horário, um acampamento foi destruído, segundo o jornal francês Le Monde. A estimativa da entidade Liga dos Direitos do Homem é que os protestos tenham ocorrido em 140 cidades francesas e reunido 100 mil manifestantes. O Le Monde registrou entre 1,2 mil e 3,5 mil em Bordeaux, 1 mil e 3 mil em Toulouse – onde o prefeito acompanhou os eventos, segundo o jornal Libération –, 2 mil em Rodez e na casa das centenas em Perpignan, Auch, Agen e Mants la Jolie. A Radio France Internationale estima que esse foi o maior movimento desde 1996, quando um grupo de ilegais foi expulso de uma igreja.

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Simone Cunha/Opera Mundi



Manifestantes com a bandeira que representa a etnia roma, como ciganos preferem ser

chamados, protestam em frente à embaixada francesa em Lisboa

“É o começo de um processo. Nós vamos nos reunir para definir os próximos passos. Vamos começar a trabalhar no parlamento contra as medidas de Sarkozy”, disse ao Opera Mundi o presidente da Liga, Jean Pierre Dubois, que considera a política francesa “um verdadeiro risco racista e xenófobo.”

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As expulsões de ciganos começaram após conflitos entre membros da minoria e a polícia francesa, em julho. Um cigano foi morto por supostamente não ter parado em uma barreira policial e, em resposta, grupos ciganos atacaram uma base policial em Grenoble, relata a BBC. A maioria dos expulsos são romenos e búlgaros e o governo francês anunciou a intenção de acabar com metade dos 600 acampamentos ilegais existentes no país.

Embora pesquisas de opinião tenham apontado que a maioria da população francesa apoia as medidas, o presidente Nicolas Sarkozy tem enfrentado resistências dentro e fora da França. O ministro de assuntos estrangeiros, Bernard Kouchner, disse ter considerado a hipótese de entregar o cargo e o primeiro-ministro, François Fillon, disse não gostar da aproximação feita pelo governo entre criminalidade e imigração.

Na sexta-feira, o Parlamento Europeu divulgou nota dizendo que ainda está avaliando se a política francesa está de acordo a legislação União Europeia, que garante livre circulação e permanência temporária. As expulsões também são analisadas à luz da carta de direitos fundamentais do grupo, que reúne 27 países. Na próxima terça-feira (7/9), as medidas serão discutidas em reunião plenária do Parlamento. A rede belga RTL informa que na segunda (6/) ministros da imigração de diversos países europeus se reúnem para discutir imigração clandestina.

Outros países

“Viemos porque temos medo que aconteça aqui o mesmo que lá”, diz o português Bernardo Fernandes Monteiro, de 34 anos, em frente à embaixada da França em Lisboa, por volta das 15h30 (11h30 de Brasília). Ele veio com um grupo de oito ciganos de Cascais, na região metropolitana da capital, fazer parte de uma das inúmeras manifestações que ocorreram fora da França pelos direitos dos ciganos.

A Europa tem entre 10 e 12 milhões de indivíduos do “povo roma” (como os ciganos preferem ser chamados) em uma população total
estimada em 501 milhões. Em Portugal, onde a população cigana é estimada entre os 40 mil e 50 mil – não há estatística oficial – o grupo SOS Racismo coordenou eventos em Lisboa e Porto. Na capital, houve cerca de 60 pessoas (100 segundo a organização), e no Porto, 50. A polícia diz que não houve nenhuma ocorrência.



Simone Cunha/Opera Mundi




Protesto em Portugal reuniu dezenas de pessoas em Lisboa, no Porto e outras cidades

“São, sem dúvida, a minoria mais discriminada na Europa e no mundo”, diz o professor Manoel Carlos Silva, da Universidade do Minho, que coordenou um estudo sobre ciganos e africanos na região de Braga (norte), entre 2001 e 2005. Para o grupo, a prisão preventiva é um recurso mais usado, a condenação é mais severa e as fiscalizações, mais generalizadas, ele concluiu após levantamento de dados da justiça. Na escola, a cultura cigana não é entendida, ao mesmo tempo em que o grupo não vê muita importância na escola, mostrou o estudo.

É o que Joel Coutinho, presente no protesto em Lisboa, viveu com os três filhos. O mais velho, que hoje tem 20 anos, estava na escola, tinha seis anos, quando ele mandou entregar um lanche. “É para o cigano”, avisou. O menino ficou doente, não quis mais ir à escola. “Eles agora sabem que eu sou cigano”, era a justificativa. Joel foi à escola, exigiu respeito, fez o menino ficar. Teve de fazer o mesmo com os três. “Eu sei que temos direitos, mas nem todos sabem. Quero que meus filhos tenham oportunidade de trabalhar, não sejam excluídos por serem ciganos, como acontece geralmente”, diz ele, que é presidente da Associação Romani do Porto. Essa história é comum entre os que frequentam a entidade, diz: “Pode haver cinco, seis vagas, que o cigano é escorraçado”.

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“Temos de denunciar o que está ocorrendo na França e ver que há um falsa integração em Portugal”, disse o organizador da manifestação em Lisboa, José Falcão, da SOS Racismo. A organização aponta o trabalho como o principal problema dos ciganos e defende o reconhecimento do grupo como uma minoria étnica e a definição de um estatuto regulamentando o comércio ambulante no país – atividade que eles julgam ser de preferência dos ciganos.

Na Espanha, segundo o jornal La Vanguardia, 50 pessoas se reuniram em Madri e 100 em Barcelona. O italiano Corriere della Sera relata a presença de “centenas” de manifestantes próximo à Piazza Farnese, onde se localiza a embaixada francesa em Roma. O protesto também criticou o tratamento dado pela administração da cidade aos ciganos, que vivem em micro-campos ao redor da capital. Na Bélgica, cerca de 60 pessoas se reuniram em Bruxelas, segundo a RTL.

A Rede Europeia Contra o Racismo (ENAR, na sigla em inglês), que coordenou o evento a nível europeu, previu manifestações também em Viena, Nicósia (Chipre), Budapeste (Hungria) e Londres. Segundo a BBC, houve protestos também em Belgrado (Sérvia). Na terça, estão programados eventos em diversas cidades romenas.

Perguntado se os protestos já haviam surtido efeito, Dubois, da LDH afirma que “nosso objetivo é acordar a opinião pública”.

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Protestos na Europa reúnem milhares contra expulsões de ciganos da França

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