Segunda-feira, 6 de abril de 2026
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A notícia foi orgulhosamente anunciada na mídia oficial chinesa: “Sinohydro fecha acordo no Equador”, diz o título de um artigo no jornal China Daily de 17 de setembro. O acordo celebrado na China permitirá que a Sinohydro construa uma usina hidrelétrica de 2 bilhões de dólares no Equador. O planejado projeto Coca Codo Sinclair, no rio Amazonas, a meros 75 quilômetros de Quito, deve gerar 8,8 bilhões de kWh de eletricidade, cobrindo 75% da demanda energética do Equador.

A assinatura oficial, planejada originalmente para 23 de setembro, ainda não ocorreu, mas a Sinohydro, uma das maiores companhias estatais chinesas, já comemora seu mais recente megacontrato no exterior. Nascida em 1950 para construir infraestruturas hidrelétricas na nova China comunista, a Sinohydro se tornou líder mundial nesse campo: “até o fim de outubro de 2008, a companhia tinha 171 projetos realizados ou em construção em 42 países com um preço contratado de mais de 11 bilhões de dólares”, detalhava o artigo do China Daily.

A Sinohydro alega ser a quarta maior companhia chinesa em vendas internacionais. Em 2008, ela anunciou uma receita de 8,9 bilhões de dólares, e estava entre as 50 maiores companhias de construção do mundo. Ela estaria empreendendo mais de 50% dos projetos hidrelétricos do mundo, especialmente na África (42% de suas vendas) e Ásia (33%). Na América, a Sinohydro até agora só vinha atuando em Belize, onde já construiu uma usina hidrelétrica, uma barragem e está trabalhando atualmente na barragem de Vaca, no rio Macal.

Na condição de empresa estatal, a Sinohydro tem se beneficiado da ajuda do governo chinês para expansão internacional. Ajudas financeiras impulsionaram a primeira onda de projetos no exterior da companhia, nos anos 1960, e um modelo similar está sendo implementado hoje. Oitenta e cinco por cento dos 2 bilhões de dólares do projeto equatoriano serão financiados pelo Chinese Exim Bank, um importante banco de fomento na China, cujo papel é promover a estratégia “para fora” planejada pelo governo chinês.

A Sinohydro não faz mistério de sua principal e decisiva ajuda financeira: “A Sinohydro tem vários ativos em sua expansão estrangeira, graças a linhas de crédito e programas de cooperação com o governo chinês”, diz o website oficial.

Para impelir ainda mais essa lógica, a Sinohydro firmou, em maio de 2009, um acordo estratégico com o Banco da China, pelo qual o banco fornecerá à Sinohydro financiamento direto e seguro de engenharia no exterior. “O Banco da China ofereceu acumulativamente 5,88 bilhões de dólares de quota de crédito à Sinohydro Corporation”, conforme revelou a mídia local na época.

    

Essa força financeira e o status de empresa estatal também fizeram da Sinohydro uma ferramenta política usada pelo governo chinês para administrar seus interesses estratégicos internacionais. O anúncio do acordo Coca Codo Sinclair surge apenas poucos meses depois de a China prometer ao Equador um pagamento adiantado de 1 bilhão de dólares por vendas futuras de petróleo. Com Brasil e Venezuela, o Equador, que é membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), é o terceiro país americano a se beneficiar de empréstimos e financiamentos de infraestrutura da China.

Projeto chinês deve gerar 75% da demanda de energia no Equador

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