Primeiro preso de Guantánamo é condenado por conspiração em tribunal civil
Primeiro preso de Guantánamo é condenado por conspiração em tribunal civil
O tanzaniano Ahmed Khalfan Ghailani, primeiro preso de Guantánamo transferido para os Estados Unidos para ser julgado, foi absolvido de quase todas as suas acusações, com exceção de uma: “conspirar para destruir edifícios e propriedades governamentais”. Sob ele, pesavam 277 acusações, a mais grave delas, de cometer atentados contra embaixadas norte-americanas no Quênia e Tanzânia em 1988.
Após quatro meses e cinco sessões, os seis homens e as seis mulheres do júri decidiram nesta quarta-feira no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova York que ele não cometeu assassinatos, não conspirou para matar cidadãos norte-americanos e não usou armas de destruição em massa.
Entretanto, o júri o declarou culpado pela explosão de prédios dos EUA. Essa era a acusação menos grave contra Ghailani, porém, ele pode ser condenado a uma pena de 20 anos ou prisão perpétua pelo crime. Apesar de Ghailani não ter sido absolvido, sua condenação representa uma derrota para a acusação, que até então tem conseguido sentenças mais severas nos casos de julgados por terrorismo. A sentença será anunciada no dia 25 de janeiro.
Desde o início do processo, em outubro, a defesa de Ghailani alegou que o réu era inocente, pois havia apenas ajudado a alguns amigos, supostos empresários, e não pessoas envolvidas com uma rede terrorista. O tanzaniano nega qualquer vínculo com a organização islâmica internacional Al Qaeda.
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O argumento usado pela promotoria e pela acusação particular é que Ghailani pertencia sim ao grupo terrorista e que ajudou a comprar o caminhão usado nos atentados, assim como o material explosivo usado. Segundo o promotor federal Nicholas Lewin, ele colocou o caminhão com explosivos “porque havia se comprometido com a Al Qaeda com um objetivo: matar norte-americanos”.
Recentemente, a Al Qaeda reivindicou a autoria das explosões nas embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia. Esses atentados mataram 224 pessoas, entre eles12 norte-americanos e deixou mais de quatro mil pessoas feridas.
Ghailani, de 36 anos, foi preso no Paquistão em julho de 2004 e ficou detido em um centro secreto da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), onde ficou por dois anos. Depois, foi transferido para a base militar de Guantánamo. Lá, ficou preso por três anos, até que, em 2009, foi levado para Nova York.
Efe
Foto cedida pelo FBI do tanzaniano Ahmed Khalfan Ghailani
Repercussão da sentença
Esta é a primeira vez que um acusado de terrorismo preso em Guantánamo é julgado nos EUA por um tribunal civil. Para os republicanos, que defendem a exclusividade de tribunais militares nesses casos, o veredito o julgamento de Ghailani é “trágico”, segundo o jornal New York Times.
“Demonstra claramente a loucura da administração de Obama em julgar terroristas da Al-Qaeda em tribunais civis”, criticou o membro da Câmara dos Representantes Peter King, um dos nomes para assumir a presidência do Comitê de Segurança Nacional da Câmara, quando os novos parlamentares, eleitos no dia 2 de novembro, tomarem posse.
Para o Pentágono, Ghailani é considerado um dos presos acusados de terrorismo mais importantes. Quatro pessoas acusadas de serem seus cúmplices cumprem pena de prisão perpétua na penitenciária de segurança máxima de Florence, Colorado.
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