Presidente iemenita se diz disposto a deixar o poder até o fim do ano
Presidente iemenita se diz disposto a deixar o poder até o fim do ano
Diante da crise política no Iêmen, o presidente Ali Abdullah anunciou nesta terça-feira (22/03) sua disposição em deixar o poder antes do fim do ano.
Em declarações à Agência Efe, o secretário de imprensa de Saleh, Ahmed al Sufi, disse que o presidente renunciará a seu cargo no final deste ano e entregará o poder após a realização de eleições parlamentares “para garantir uma transferência institucional”.
Al Sufi acrescentou que Saleh não deseja permanecer no poder, mas que também não quer abandoná-lo sem saber quem o sucederá.
Além disso, indicou que a decisão de Saleh, que preside o país desde sua reunificação em 1990, responde a uma iniciativa apresentada pelas forças da oposição.
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No entanto, um porta-voz da oposição, Mohamed al Sabri, disse à Efe que “isso não responde às reivindicações dos filhos do povo iemenita, que pedem a saída do presidente”.
“As próximas horas serão decisivas para determinar a sorte do país”, advertiu o porta-voz.
O anúncio de Saleh ocorreu pouco depois que o próprio presidente avisou que qualquer tentativa de golpe de Estado para tomar o poder levará o Iêmen a uma guerra civil.
Saleh fez está declaração durante uma reunião do Conselho Supremo das Forças Armadas nesta terça-feira que foi transmitida ao vivo pela televisão pública iemenita.
“Cada dirigente tem que assumir sua responsabilidade em sua área para manter a segurança da instituição militar, pois qualquer divisão se refletirá negativamente na estabilidade da nação”, afirmou.
Ele ressaltou ainda que a instituição militar é “estável” e deve respeitar as leis e a Constituição.
Em discurso diante dos manifestantes reunidos em frente à Universidade de Sanaa, o xeque Sadeq Abdullah al Ahmar pediu a Saleh que raciocine.
“Nós estamos com vós em vossa revolução pacífica e pedimos ao presidente que raciocine e que não se deixe arrastar pela violência e pelo derramamento de sangue”, disse Al Ahmar.
Na segunda-feira, um dos líderes do exército, o general-de-divisão Mohamed Ali Mohsen, meio-irmão de Saleh, revelou em um vídeo divulgado pelo canal Al Jazeera seu apoio “a revolução do povo e seus pedidos”.
Nos últimos dias, renunciaram os ministros de Turismo, de Assuntos Religiosos e de Direitos Humanos, assim como outros 17 deputados e responsáveis governamentais.
As demissões no Executivo levaram Saleh a destituir no último dia 20 o governo do primeiro-ministro Ali Muyawar.
Após a renúncia de seu meio-irmão, Saleh afirmou que a maioria do povo o apoia e ressaltou que “os que chamam o caos, a violência, o ódio e os atos de sabotagem são uma minoria do povo iemenita”.
Em seguida, o ministro da Defesa do Iêmen, general Mohamed Nasser Ahmed, assegurou que o exército e a polícia apoiavam o presidente contra as tentativas da oposição de “prejudicar a legitimidade constitucional”.
Em um breve comunicado lido pela televisão, Ahmed disse que “as Forças Armadas e a polícia não vão permitir de nenhuma maneira nenhuma tentativa de oposição à democracia, à legitimidade constitucional e de prejudicar a segurança nacional”.
O Iêmen é palco de protestos políticos contra o regime de Saleh desde 27 de janeiro, embora tenham se intensificado em meados de fevereiro.
Uma fonte oficial disse nesta terça-feira à Efe que Saleh pediu ao monarca saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, que faça a intermediação com a finalidade de convencer os opositores a dialogar com o governo e que espera sua resposta.
Na sexta-feira passada, Saleh impôs o estado de emergência em todo o país, coincidindo com um massacre nos arredores da Universidade de Sanaa que deixou 45 mortos e 270 feridos.
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