Quarta-feira, 8 de abril de 2026
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Daniel Chapo, da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), assumiu nesta quarta-feira (15/01) como presidente do país em meio a violentos protestos de rua, que a política tentava dispersar a tiros.

Os protestos ocorrem praticamente desde que as eleições se realizaram, dia 9 de outubro e se tornaram mais violentos a partir de 23 de dezembro, com o anúncio da vitória de Chapo, com 65% dos votos. A extrema direita questiona a lisura do pleito desde este se realizou, em outubro, e vem incitando a população a reagir.

O principal opositor é o pastor evangélico Venâncio Mondlane, do partido de extrema direita Povo Otimista para o Desenvolvimento de Moçambique, que obteve 24% dos votos. Ele vem incitando os protestos que incluem queima de pneus, barricadas pilhagens e confrontos com a política.

Extrema-direita incita protestos violentos

Segundo a agência francesa RFI, no total, as ondas de protestos já produziram 56 mortos e ao menos 117 feridos, além de considerável destruição de patrimônio público e privado.

A posse de Chapo ocorreu no centro da capital, Maputo, sob forte esquema de segurança. Já nas primeiras horas da manhã, os militares interromperam o trânsito nas principais vias de acesso ao local da posse e unidades policiais de Intervenção Rápida estavam por toda a cidade.

Daniel Chapo, presidente de Moçambique

Voa/Wikimedia commons
Daniel Chapo quando ainda era governador da província de Inhambane

A presidente do Conselho Constitucional, Lúcia Ribeiro, recebeu os símbolos do poder do presidente Filipe Nyasi, que termina o seu mandato e fez a investidura de Daniel Chapo.

Estiveram presentes à cerimônia os presidentes da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, e os vice-presidentes da Tanzânia, Maláui e Quênia, assim como os primeiros-ministros de Essuatíni e Ruanda, além de ministros de outros oito países, incluindo Portugal. O Brasil esteve representado pelo seu embaixador em Maputo.

No total, a cerimônia contou com 2.500 convidados, incluindo diversas delegações estrangeiras.

Primeiro presidente nascido depois da independência

Enquanto a posse ocorria, a política dispersava manifestantes que queimavam pneus na entrada do centro de Maputo e no bairro de Luis Cabral. Os manifestantes interromperam o trânsito nas estradas que dão acesso à capital.

Os manifestantes arremessavam pedras e garrafas contra a polícia enquanto ela tentava retirar os pneus em chamas. A polícia respondia com tiros. “Só Venâncio é capaz de parar isto”, gritava um dos manifestantes.

O presidente recém empossado, formado em direito, foi governador da província de Inhambane e é o atual secretário-geral da Frelimo. Esse partido liderou a luta pela independência e governa o país desde que esta foi obtida, em 1975. Com 48 anos, Chapo se torna oficialmente o primeiro chefe de Estado nascido depois da independência.