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A Bielorrússia realiza eleições presidenciais neste domingo (19/12) em meio a acusações de fraudes e manifestações organizadas por partidos de oposição. No entanto, reproduzido quase como um mantra pela mídia ocidental, o apelido de “última ditadura da Europa” esconde interesses norte-americanos e de grupos financeiros internacionais, segundo fontes ouvidas pelo Opera Mundi em Minsk.

O governo norte-americano consolidou sua posição anti-Lukachenka desde que o presidente George W. Bush assinou a chamada “Lei da Democracia”, em outubro de 2004, autorizando a inclusão de gastos relacionados ao “apoio à democracia na Bielorrúsia”, assim como fazia com governos anticomunistas na América Latina.

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Nas eleições de 2006, os grupos antigovernistas bielorrussos receberam 12 milhões de dólares para a campanha do então candidato da oposição, Aliaksandr Milinkevitch. O Departamento de Estado dos EUA teria financiado então cinco partidos de oposição e 566 ativistas contrários a Lukachenka, além de ter apoiado o treinamento de 70 “entidades da sociedade civil”, 71 jornalistas antigovernistas e 21 veículos de comunicação da oposição, entre jornais, revistas e rádios.

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No mesmo ano, concedeu quase mil bolsas de estudos a universitários bielorrussos na Universidade Europeia de Ciências Humanas (EHU, em inglês), sediada na Lituânia e financiada por governos europeus. Nada disso, entretanto, foi suficiente para dar a vitória a Milinkevitch.

Efe



Eleitores depositam cédulas nas urnas em seção eleitoral de Selets, no interior da Bielorrússia

Tanto interesse, além de ideologia, se explica também por razões econômicas. O país continua sendo o único da Europa que permanece fechado ao capital privado e aos investimentos norte-americanos. E o principal setor que alimenta o PIB bielorrusso, os royalties pagos por oleodutos e gasodutos que cortam o país, são um lucrativo filão no qual as empresas do EUA – como a Halliburton – não podem entrar.

 

“A Bielorrúsia ainda está no rumo socialista. Nós somos um dos poucos que ainda não desistiram”, diz a secretária-geral do Partido Comunista da Bielorrússia (parte da alianca pro-Lukachenka), Tatiana Golubeva, ao Opera Mundi.

Ela critica os que “se venderam por alguns dólares e repetem como papagaios o discurso ocidental”.

Mas nem só do ocidente vêm as influências externas na Bielorrússia. Antes um tradicional aliado de Lukachenka, a Rússia também faz apostas na disputa, desta vez apoiando (e, segundo relatos, financiando) o candidato Vladímir Nekliaev, depois de uma série de estranhamentos com o governo atual por causa dos pagamentos por petróleo e gás.

Fora do campo da hegemonia euro-americana, o governo Lukachenka recebe elogios. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chamou o país de “modelo de um Estado social”, comparando ao que os bolivarianos estão construindo na América do Sul. Chávez, que chama Lukachenka de “irmão”, concedeu a Ordem Francisco de Miranda, a mais alta condecoração venezuelana, ao presidente bielorrusso. Lukachenka tambem recebeu a mais elevada honra do governo cubano, a de José Martí.

Abertura

Diferentemente das eleições de 2006, quando apenas dois candidatos de oposição concorreram, este ano a disputa conta com nove candidatos, além do próprio Lukachenka. Na capital, Minsk, cartazes da oposição e alguns panfletos revelam a abertura do processo democrático.

“Há quatro anos, eu não poderia estar aqui distribuindo panfletos. Seria preso”, contou o jovem bielorrusso Yuri Tikhomirov.

Efe



Lukachenko comparece para votar com o filho

Antes das eleições, os candidatos de oposição participaram pela primeira vez de um debate na TV, que apesar de não ter contado com a presença de Lukachenka, surpreendeu os analistas políticos. Não houve cortes nem censura. Todos puderam criticar abertamente o presidente na televisão, que é controlada pelo Estado.

 

“Em comparação com 2006, quase não há repressão nestas eleições”, declarou Milinkevitch, que concorre novamente, na televisão.

Mesmo assim, o candidato avalia a maioria das mudanças e reformas do processo eleitoral como “superficial”. E cita Stalin: “O importante não é como as pessoas votam, mas como os votos são contados”. O governo bielorrusso controla toda a apuração de votos e a oposição está representada com menos de 1% dos fiscais responsáveis pela contagem final.

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Presidente da Bielorrússia, favorito em eleição, enfrenta candidatos apoiados por governos estrangeiros

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