Quinta-feira, 23 de abril de 2026
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A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, lançou hoje (4) uma mensagem contundente aos mercados, comprometendo-se a fazer o pagamento da dívida externa do país com reservas monetárias.

A declaração foi dada após a Justiça proibir o governo de quitar os débitos por meio desta medida, o que levou a governante a afirmar que a oposição estaria por trás da decisão tentando “destituí-la e desonrá-la”.

“Acredito que se trata de um abuso de poder, porque quem tem a responsabilidade de administrar as finanças do país não são os juízes, mas a presidente”, afirmou a governante. O governo argentino apelou hoje mesmo da decisão judicial.

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Cristina defendeu, em rede nacional, sua política econômica, e criticou duramente os opositores após a derrota sofrida pelo governo – que na quarta-feira já havia perdido a maioria no Senado.

“As dívidas que esta presidente quer pagar, e vai pagar, com as reservas do Banco Central, de acordo com o que diz a Constituição, estão depositadas nas contas do Ministério da Economia”, afirmou.

Convencida de que a oposição mantém uma atitude de “vingança institucional”, Cristina acrescentou que a Argentina está “perante tentativas de cassação evidente por parte de alguns setores” e falou sobre a decisão da justiça.

“Estou disposta a enfrentar a condenação de qualquer juiz de ocasião, mas não a condenação da História, o que representaria uma punição à Argentina, pelo não-pagamento”, insistiu Cristina.

Banco Central

Também nesta quinta-feira, a Coalizão Cívica (CC) denunciou a presidente por suposta desobediência judicial. “A presidente ignorou uma decisão que a impedia de utilizar as reservas”, disse a deputada Patricia Bullrich.

A CC e outras forças de oposição conseguiram fazer com que a Justiça impedisse a constituição de um fundo com 6,569 bilhões de dólares provenientes de reservas do Banco Central, cuja criação foi decretada por Cristina em dezembro.

Depois de assumir o controle na composição das 25 comissões do Senado, a oposição oficializou a recusa de Mercedes Marcó del Pont como nova líder do Banco Central, por causa do uso das reservas.

“Querem que não paguemos o que outros contraíram como dívida. Acho isso um abuso de poder, porque quem tem a responsabilidade de administrar as finanças do país não são os juízes, e sim a presidente”, disse Cristina, qualificando a situação de “lamentável”.

Ela disse ainda que, se recorresse a empréstimos internacionais para o pagamento da dívida, deveria ser condenada “por administração fraudulenta” contra os interesses do Estado.

“Atuo dentro da Constituição e das penas previstas por lei. Estou disposta a enfrentar a condenação de qualquer juiz, mas não a da história, que seria condenar a Argentina, mais uma vez, ao endividamento”, afirmou.

A governante assinou na segunda-feira o agora suspenso decreto junto a outro, mais simples, segundo o qual seriam usados 2,187 bilhões de dólares das reservas internacionais para pagar dívidas com organismos multilaterais de crédito. Porém, este não faz parte da decisão judicial.

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