Presidente afegão diz que fraude nas eleições "não foi em massa"
Presidente afegão diz que fraude nas eleições "não foi em massa"
O presidente afegão, Hamid Karzai, desmentiu hoje (17) que tenha existido uma fraude maciça nas eleições presidenciais de agosto, apesar dos observadores europeus calcularem que há 1,5 milhão de votos suspeitos. Apesar de pedir uma investigação para os votos suspeitos, o atual presidente afirmou em seu comparecimento que a fraude cometida “é muito menor” do publicado pela mídia, e que é comparável ao que se registra em qualquer outro país do mundo.
Em entrevista coletiva realizada em Cabul, Karzai se felicitou por seus resultados – a priori, obteve mais da metade dos votos -, mas especificou que haverá que esperar a revisão dos votos e a nova apuração da Comissão Eleitoral afegã (IEC).
A IEC anunciou ontem (16) os dados provisórios finais da apuração, segundo os quais Karzai obteve 54,6% dos votos, uma percentagem que lhe permite ser reeleito sem necessidade de acudir ao segundo turno.
Os resultados dependem ainda de uma nova apuração ordenada na terça-feira à IEC pela Comissão de Queixas (ECC), que afetará às cédulas depositadas em 2.500 dos 26 mil centros de voto – pouco menos de 10% do total -, nos quais há suspeitas de fraude.
Além disso, a missão de observadores da União Europeia (UE), que supervisionou o pleito, cifrou na quarta-feira em 1,5 milhão os votos “suspeitos” de serem fraudulentos, 1,1 milhões deles favoráveis a Karzai.
A recontagem dos votos é importante porque, caso eles sejam realmente cancelados, Karzai não alcançaria superar o 50% necessário para ser reeleito automaticamente, e deveria acudir a um segundo turno com o segundo candidato mais votado, Abdullah Abdullah.
Segundo dados da Comissão Eleitoral, a participação nas eleições presidenciais – realizadas dia 20 de agosto – foi de 38,7% do eleitorado, com um total de 5.662.758 votos emitidos.
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