Sábado, 9 de maio de 2026
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Todo 18 de setembro, no Chile, uma tradição manda que o presidente da República chilena tire uma foto com todo seu gabinete para comemorar a independência. Nesse ano, o encontro, liderado pelo presidente Sebastián Piñera tem uma importância mais simbólica ainda, já que a nação celebra seu bicentenário. Na foto, a maioria dos homens apareceu com ternos azuis e gravatas vermelhas, cores da bandeira do país. As mulheres, porém, vestiam cores variadas.

Em seguida, Piñera e seus ministros seguiram para um ato ecumênico do Bicentenário na Catedral de Santiago. O evento, liderado pelo cardeal Francisco Javier Errázuriz, arcebispo da capital, teve como finalidade propor um Chile de mais união entre o povo chileno, em clara referência aos índios mapuches.

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“O Chile inteiro festeja. Celebram na profundidade da terra nossos 33 mineiros, também os danificados pelo terremoto e pelo maremoto. Unidos a eles e a suas famílias, desejamos manifestar a Deus nossa gratidão. Como queríamos que os mapuches, que fazem greve de fome, também estivessem festejando”, declarou o cardeal, antes de fazer um chamado ao diálogo entre o governo e a comunidade indígena do país. 


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“Demos sinais concretas de querer avançar com os diálogos e o chamado do cardeal também é para que os mapuches deponham a greve de fome, porque eles estão atentando contra as suas próprias vidas. Nossa proposta é que sigamos com os diálogos para que possamos entregar a esta comunidade tudo o que necessitam para poder trabalhar”, afirmou a ministra porta-voz do governo, Ena von Baer.

Segundo o secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, que também acompanhou o evento, os povos indígenas e originários sempre foram desfavorecidos em relação aos habitantes das áreas urbanas. “Este é um fenômeno de rechaço e dívida históricos, e temos que sair desta situação juntos. Temos que fazer um chamado para que todos reconheçam os povos indígenas do Chile”, declarou.

Festa em todo o país

De fato, como afirmou o cardeal, os trabalhadores presos na mina de San José, no deserto do Atacama, no norte do país, entraram no clima de comemoração. Apesar da tensão pela espera do resgate, que deve ser realizado somente nos próximos meses, os mineiros cantaram o hino nacional, a 700 metros de profundidade, ao meio-dia de hoje, ao mesmo tempo em que milhares de chilenos por todo o país. A proposta da comissão organizadora do Bicentenário era a de que a população se reunisse para entoar o hino em uníssono nas distintas praças ao longo de todo o território do país, desde a fronteira no extremo norte, até a região de Magalhães, no sul.

As autoridades do governo contribuíram com suas vozes na Praça de Armas, em Santiago, em companhia da ex-presidente Michelle Bachelet, do presidente da Bolívia, Evo Morales, do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, e do presidente do Congresso peruano, César Zumaeta. Ao término do ato, as atenções se voltaram para a presença de Bachellet, parou para tirar fotos, deu entrevistas e conversou com o público.

Entre os gritos do público que exclamava “Presente! Presente! Michelle presidente!”, a ex-mandatária chilena declarou: “Estamos impregnados com uma sensação de promessa e compromisso de fazer do Chile um país melhor para todos, o que se consegue com base no diálogo, no respeito e na dignidade. Temos a esperança de ter os mineiros logo na superfície, de os afetados pelo terremoto possam refazer suas vidas e que os mapuches possam sair logo da greve de fome”.

Ofuscado pela presença da ex-presidente, Piñera também abordou o tema dos presos mapuches: “Quero dizer aos chilenos que com este presidente, este governo sempre estará aberto ao diálogo franco e generoso, mas o caminho é a unidade e não a violência, nem as greves de fome. Desde o primeiro dia de governo estamos conversando com os mapuches, eu estive sete ou oito vezes em Araucanía, em reuniões com centenas de comunidades”.

Da praça de arma, as autoridades seguiram para o Museu de Belas Artes de Santiago, onde Piñera faria uma recepção aos presidentes visitantes e chefes de estado. Evo Morales, na saída da reunião, declarou: “Estamos estabelecendo excelentes relações com este governo, assim como foi com Bachelet, para de presidente a presidente, de forças armadas a forças armadas, trabalhar juntos por nossos povos da América Latina”.

Uma das visitas mais esperadas, principalmente pelas autoridades chilenas, é a da presidente Argentina, Cristina Kirchner, que deve chegar ao país esta tarde para acompanhar as festividades e promover, com Piñera, uma reunião bilateral no palácio La Moneda para discutir a extradição do guerrilheiro Galvarino Apablaza, ex-chefe da Frente Patriótico Manuel Rodríguez (FPMR).

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Presença de Michelle Bachelet ofusca discurso de presidente chileno

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