Domingo, 10 de maio de 2026
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O primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, pediu à Suprema Corte nesta segunda-feira (06/03) que investigue com  prioridade o acidente de trem da semana passada, que deixou 57 mortos e gerou uma onda de manifestações no país.

“O povo grego espera pelo esclarecimento imediato deste acidente trágico”, escreveu Mitsotakis em uma carta ao procurador do tribunal. “Peço que priorizem o caso, e se considerarem necessário, iniciem uma investigação sobre possíveis erros sistemáticos no setor ferroviário, e se eles poderiam constituir um crime”, completa o texto.

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De acordo com a carta, a investigação do tribunal é um processo à parte. Outro inquérito já havia sido iniciado por um grupo de especialistas designado pelo governo. A declaração do primeiro-ministro visa diminuir a indignação nacional e salvar sua candidatura. O chefe de governo também disputará eleições para tentar um novo mandato em abril.

No domingo, Mitsotakis pediu perdão às famílias das vítimas do pior acidente ferroviário da história da Grécia. No mesmo dia, manifestantes entraram em confronto com a polícia em Atenas. Os participantes do protestos jogaram coquetéis Molotov e a polícia reagiu com bombas de gás lacrimogêneo.

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A tragédia aconteceu na terça-feira (28/02) à noite, quando um trem de carga colidiu com um trem de passageiros com quase 350 pessoas a bordo, muitos deles estudantes. Inicialmente, as autoridades atribuíram o acidente a uma “falha humana” do diretor da estação que estava trabalhando no momento da colisão.

Acidente em linha que liga Atenas a Tessalônica deixou 57 mortos e gerou onda de manifestações no país

Wikicommons

Kyriakos Mitsotakis pediu perdão às famílias das vítimas do pior acidente ferroviário da história da Grécia

Mas os sindicatos ferroviários insistem que há anos alertam a operadora Hellenic Train – que pertence à empresa ferroviária estatal italiana – sobre problemas de segurança na linha que liga Atenas a Tessalônica, a segunda maior cidade do país. Ela foi parcialmente privatizada como parte do acordo com os credores internacionais durante a crise econômica na Grécia (2009-2018).

Problemas de manutenção

A rede ferroviária grega sofre há décadas com a manutenção deficiente e equipamentos obsoletos. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou que conversou com Mitsotakis sobre uma “ajuda técnica adicional” para modernizar o setor ferroviário.

Segundo uma fonte judicial, a investigação pode “apresentar medidas judiciais, se necessário, contra membros da administração da companhia” ferroviária grega Hellenic Train.

A empresa é acusada de várias negligências que levaram à colisão. A companhia se defendeu na noite de sábado e alegou que “esteve presente no local desde o primeiro momento” e que disponibilizou “uma central de atendimento (…) para prestar informações”.

A companhia alega que é responsável apenas pelo transporte de passageiros e mercadorias, mas que a gestão da rede, sua manutenção e modernização são de responsabilidade da estatal ferroviária OSE. Os representantes sindicais da companhia já haviam alertado para a situação há três semanas.