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O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, convocou nesta quinta-feira (9/12) o governo federal argentino a “trabalhar em conjunto” para frear a “imigração descontrolada”, que seria responsável pelo “avanço do narcotráfico e da delinquência”. Em declarações no mesmo tom, o chefe de gabinete da prefeitura, Horacio Rodríguez Larreta, afirmou que a cidade de Buenos Aires não “tem que resolver todos os problemas de moradia do Mercosul”.

As queixas de Macri e de seu funcionário são uma resposta à decisão do juiz portenho, Roberto Gallardo, de que a prefeitura da capital argentina deve cuidar da situação das famílias sem-teto que ocuparam prédios do parque Indoamericano. O local é o  segundo maior parque público da capital, localizado na zona sul de Buenos Aires, e tem sido destaque na imprensa local por conta um despejo realizado recentemente, que culminou com a morte de duas pessoas.

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A defensora pública da cidade, Alicia Pierini, afirmou esta manhã em uma entrevista à rádio La Red que cerca de 70% das pessoas que ocuparam os prédios do parque são de nacionalidade paraguaia, boliviana e peruana. Para a defensora, o local já se transformou em um “acampamento de refugiados”. Segundo ela, Buenos Aires está recebendo imigrantes de “países limítrofes e de estados mais pobres do país”, e que o orçamento da cidade não inclui projetos habitacionais para todos.

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“Teríamos que perguntar à população portenha se ela está disposta a destinar o orçamento da cidade para a construção de moradia para todos os pobres do mundo”, afirmou.

Despejo

Mais de mil famílias sem-teto ocuparam, progressivamente nos últimos anos, prédios e terrenos do parque Indoamericano. Na noite desta segunda-feira (6/12), em uma operação que transcorreu até a madrugada do dia seguinte, policiais da polícia federal e metropolitana despejaram centenas de famílias instaladas no local.

A população reagiu com pedradas nas proximidades de uma comunidade, conhecida como Villa 20, e após repressão das forças policiais, a operação terminou com duas mortes: a de uma jovem paraguaia de 22 anos e de uma boliviana apenas dois anos mais velha. O despejo foi realizado por determinação da juíza portenha María Cristina Nazar.

Segundo o jornal Clarín, o secretário de Ambiente e Espaço Urbano da cidade, Diego Santilli, assistiu à operação, a qual classificou como “exitosa”. Nas últimas 48 horas, centenas de famílias voltaram a se instalar no local. Na noite de ontem, a ordem judicial do juiz Roberto Gallardo determinou que a prefeitura deve auxiliar a população que ocupa o local, com a instalação de 40 banheiros químicos, provisão de água potável e comida, criação de postos de saúde, aquisição de duas ambulâncias e a realização de um censo.

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Nesta quinta-feira, em entrevista coletiva, o prefeito da cidade solicitou ao governo federal que intervenha na ocupação com forças policiais para desalojar as famílias. Macri, oposicionista do governo de Cristina Kirchner, ressaltou ainda que o país deveria “demonstrar coragem” para fazer “o mesmo que fez o Brasil”, referindo-se ao envio militares às favelas para combater o tráfico de drogas.

O presidente da Associação Civil Gente de Lugano, Hubo Bentivenga, que representa os vizinhos do bairro Villa Lugano, próximo da zona ocupada e que pedem uma solução ao governo da cidade, afirmou que “desde que o parque começou a ser ocupado, a quantidade de famílias instaladas no local passou de 300 para 1200”. “Somos contra a ocupação do espaço público, mas é preciso procurar uma solução para as pessoas que vivem aqui”, defendeu.

Imigração

O chefe de gabinete da prefeitura afirmou que a ocupação do parque se deve a “uma lógica perversa que promove que mais gente venha de países limítrofes para usurpar terrenos e pedir moradias. Temos que cortar isso”, segundo o jornal Clarín.

Larreta afirmou que apesar da “necessidade social de alguns deles”, “tem muito malandro, muito narco e muito mafioso que toma uma parcela [de terreno] e depois a vende. Quando misturamos a necessidade social e começamos a justificar a ocupação, tudo se confunde”, defendeu.

Para ele, a Argentina tem uma lei de imigração “muito permissiva”. “Nunca se fez tanta obra nesta zona como agora. Sim, são necessárias mais, mas do jeito que se coloca, parece que a cidade de Buenos Aires tem que resolver um problema de moradia do Mercosul”, criticou.

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Segundo dados da Dados da Direção Geral de Migrações da Argentina, os índices da presença imigrante no país subiu substancialmente nos últimos anos. A maioria escolhe instalar-se na capital. O número de radicações tramitadas passaram de 37.519, em 2004, para 221.212, em 2009, representando um crescimento de 489%. Ao todo, 736.646 estrangeiros passaram a residir no país nos últimos cinco anos.

A principal origem dos imigrantes atuais é paraguaia, com mais de 50 mil pedidos de radicação apenas no ano de 2009. Bolívia e Peru vêm em seguida, com cerca de 40 mil e 23 mil pessoas que decidiram morar no país, respectivamente. Os brasileiros ocupam a sexta posição no ranking dos estrangeiros que aumentam a densidade demográfica argentina, com 3.455 pedidos de residência encaminhados no ano passado.

Para o diretor geral de imigrações, Fernando Manzanares, a Argentina sempre foi um país que abrigou estrangeiros: “A quantidade de pessoas que escolhem nosso território para morar é historicamente muito superior à das nações vizinhas. Para os países limítrofes, a decisão é facilitada pelo idioma”, afirmou, em reportagem publicada em julho pelo Opera Mundi.

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Prefeito de Buenos Aires relaciona imigração a avanço do narcotráfico e da delinquência

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