Postura paraguaia frente ao acordo militar revela alinhamento com Washington, dizem analistas
Postura paraguaia frente ao acordo militar revela alinhamento com Washington, dizem analistas
Após perceber a reação negativa de alguns países com o anúncio da ativação das bases norte-americanas, no final de julho, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, iniciou na primeira semana de agosto um giro diplomático por Peru, Chile, Uruguai, Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai, com o intuito de esclarecer o acordo com os Estados Unidos. No último, ouviu do presidente Fernando Lugo que a soberania colombiana deveria ser preservada e foi poupado de críticas.
Na avaliação de Marcelo Coutinho, diretor do observatório político sul-americano do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), a postura do Paraguai é preocupante, já que é um dos países do continente que tem maior ocupação militar norte-americana, principalmente nas áreas de fronteira com Brasil e Argentina, região do maior manancial de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo: o Aquífero Guarani.
“O Paraguai é um grande ponto de preocupação norte-americana, oficialmente um alvo de força de inteligência dos Estados Unidos, do Pentágono”, afirmou Coutinho. O principal argumento da presença norte-americana é a suposta presença de terroristas na tríplice fronteira, onde há uma numerosa comunidades árabe-muçulmana, explica o professor.
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As palavras de Lugo indicam que ele não descarta a possibilidade de firmar um acordo semelhante ao de Bogotá e Washington, já que o país sempre foi “alvo de pressão para manter as ocupações”, lembra Ana Esther Ceceña, economista mexicana e membro do Conselho Latino Americano de Ciências Sociais.
Lugo sempre criticou os governos anteriores, que segundo ele, permitiam a presença militar norte-americana no país. Mas mesmo assim, nos primeiros dez meses de governo, recebeu 422 mil dólares de apoio direto da Embaixada dos Estados Unidos para retomar os exercícios militares na chancelaria norte-americana no Paraguai.
Presença dos EUA
Apesar de não haver base militar norte-americana no país, há ações de cooperação conjunta na capital, em Mariscal Estigarribia, em Coronel Oviedo, em Salto Del Guairá e em Pedro Juan Caballero. Em Assunção, os serviços de informação dos Estados Unidos têm a maior antena de rastreio da América do Sul.
Há também duas pistas de pouso para qualquer tipo de aeronave e apoio a operações norte-americanas, a maior delas na região em Mariscal Estigarribia, capital do departamento (estado) de Boquerón, um dos mais despovoados do Paraguai. Sua área de aterrissagem tem 3,8 quilômetros de extensão, a maior do Paraguai, superando a do Aeroporto Silvio Petirossi, em Assunção.
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