Sábado, 13 de junho de 2026
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Quem mora no Japão está acostumado a lidar com catástrofes naturais, muito frequentes, e de baixa intensidade. Nesta sexta-feira (11/03), porém, o tremor foi devastador. A costa japonesa foi atingida pelo pior terremoto do país em 140 anos e o sétimo da história mundial. “Tudo começou como nos outros terremotos. Ficamos sempre na expectativa se irá piorar ou parar. Este piorou e muito, e a intensidade era tal que os funcionários mandaram todos saírem do restaurante para a rua”, contou a bióloga marinha Ana Teresa, que estava almoçando em um restaurante na capital, Tóquio, perto da universidade onde trabalha.

A portuguesa, que vive no Japão desde 2006, disse que os utensílios da cozinha começaram a cair, fazendo bastante barulho, e as pessoas que estavam no restaurante ficaram, assim como ela, bastante perturbadas.

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“A sensação é de desorientação e, como é complicado caminhar, ficamos bastante confusos. Nunca tinha sentido algo assim. É muito complicado raciocinar. Havia mais gente na rua, gente que chorava, e quase todas as pessoas olhavam para os prédios ao redor, atentos esperando algo cair”, descreveu Ana Teresa ao Opera Mundi.

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O tremor de magnitude 8,9, que aconteceu às 14h46 (2h46 no horário de Brasília), deixou até 300 mortos e provocou um tsunami que ameaça outros países da costa do Oceano Pacífico, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Ana Teresa contou que, quando já estava na rua, percebeu que não podia fazer chamadas pelo telefone celular, mas conseguiu usar a internet do aparelho. “As pessoas estavam muito apreensivas na rua, mas não houve pânico. Já havia um prédio com algumas chamas perto de onde estávamos e podíamos ver da janela outro prédio em chamas na região de Odaiba [ilha artificial que fica a seis quilômetros de Tóquio]. Mais tarde, tudo voltou à normalidade, apesar de termos réplicas fortes de dez em dez minutos e de não termos telefone ou transporte”, disse.

Segundo ela, as pessoas ainda estão impedidas de voltar às suas casas, o que faz com que as ruas estejam lotadas e o trânsito, caótico. “Poucos conseguiram voltar para casa. Vou dormir sentada, na calçada, porque estas réplicas não dão tréguas. Mas parece que o pior já passou”, completou.

Depois do terremoto, outros 52 fortes tremores de magnitude maior que cinco foram sentidos, segundo a agência norte-americana. O governo japonês já emitiu alertas de réplicas. Por conta dos tremores, incêndios foram registrados em pelo menos 80 lugares, reportaram agências locais. As linhas telefônicas ficaram prejudicadas, o trem-bala da capital e os dois principais aeroportos foram fechados temporariamente.

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