O presidente de Portugal, o social-democrata Aníbal Cavaco Silva, anunciou nesta terça-feira (18/5) a promulgação da lei de casamento homossexual, aprovada em fevereiro, mas se mostrou em desacordo com a norma.
O presidente disse que optou por sancionar a lei – que exclui o direito à adoção – porque devolvê-la ao Parlamento só causaria um atraso de sua entrada em vigor já que as forças de esquerda que a aprovaram não iriam mudar suas posições.
Cavaco Silva defendeu a necessidade do consenso nacional perante a crise econômica que Portugal vive e disse que não quer “alongar inutilmente este debate” nem “desviar a atenção dos portugueses dos problemas que afetam gravemente a vida das pessoas”.
Conhecido por ser um político conservador e um católico praticante, o presidente demorou várias semanas para tomar a decisão e a anunciou hoje em uma mensagem lida três dias após o término da visita do papa Bento XVI ao país. A Santidade havia criticado união entre homossexuais.
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Mas assinalou a falta de um consenso amplo em Portugal sobre o assunto do casamento homossexual e ressaltou que só sete países do mundo inteiro o aprovaram, sendo quatro deles parte dos 27 que integram a União Europeia.
Não é verdade que “a ausência de casamento entre pessoas do mesmo sexo seja um fenômeno residual no mundo contemporâneo, um resquício arcaico típico de sociedades culturalmente mais atrasadas”, afirmou Cavaco.
O presidente pôs como exemplo “as soluções jurídicas adotadas na França, Alemanha, Dinamarca e Reino Unido que não são discriminatórias e respeitam a instituição matrimonial como união entre homem e mulher”.
Também lembrou que tinha enviado a norma para exame do Tribunal Constitucional, que aprovou o conteúdo do documento no mês passado.
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No final do breve discurso, Cavaco anunciou que sancionava a lei após especificar que “há momentos na vida de um país no qual a ética da responsabilidade tem que se colocar acima das convicções pessoais”.
A lei já havia sido aprovada no Parlamento com o apoio do governante PS (Partido Socialista) e dos partidos marxistas da Assembleia Legislativa e teve a rejeição dos democratas-cristãos e dos social-democratas.
O PS, que perdeu a maioria absoluta nas eleições de setembro passado, tinha rejeitado em 2008 dois projetos de lei sobre casamento homossexual apresentados pela esquerda marxista com o argumento de que não estavam naquele programa de governo.
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