Popularidade de Obama cai após proposta de reforma na saúde
Popularidade de Obama cai após proposta de reforma na saúde
A popularidade do presidente norte-americano, Barack Obama, está em seu nível mais baixo desde sua posse, em janeiro, naquilo que parece ser uma consequência direta dos debates públicos sobre seus planos de reforma na saúde pública.
Segundo pesquisa divulgada hoje (13) pelo instituto Rasmussen Reports, 52% dos norte-americanos são contra o desempenho de seu presidente, enquanto 47% avaliam seu trabalho como positivo. A aprovação de Obama, que sempre se manteve acima dos 60%, em meados de julho começou a cair e, há uma semana, ficou abaixo dos 50%.
A queda coincidiu com o início dos debates públicos sobre a reforma de saúde, onde os norte-americanos parecem estar divididos sobre sua necessidade e conteúdo.
Com a proposta, Obama espera garantir atendimento médico a 98% dos norte-americanos, com cobertura universal. Como os Estados Unidos não possuem um sistema amplo de saúde pública, a população depende de planos de saúde privados e de dois programas governamentais voltados para pessoas carentes com mais de 65 anos (Medicare) e pessoas pobres com necessidades específicas (Medicaid). No entanto, esses programas muitas vezes dependem de algum pagamento e possuem critérios estritos de elegibilidade, o que deixa muitos sem cobertura.
Divisão
Segundo analistas, a divisão de opiniões sobre o novo plano de saúde se dá em duas grandes frentes. De um lado está a terceira idade, que é majoritariamente contra a proposta, pois depende da seguridade social para tratamentos médicos e dos subsídios do Medicare e Medicaid. Do outro, estão os mais jovens, que normalmente ainda não possuem seguros de saúde e apoiam os planos de Obama.
O desacordo da população também é visível no âmbito político. “Os republicanos, normalmente de idade mais avançada que os democratas, comparecem em massa às audiências públicas, enquanto que os democratas deixam que essas reuniões sejam controladas pelos seus adversários”, comentou ao Opera Mundi o analista da Universidade Internacional da Flórida, Daniel Alvarez.
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Grupos republicanos tentam evitar discussão sobre reforma da saúde
Um exemplo é o senador Arlen Specter, ex-republicano que virou democrata para apoiar a candidatura de Obama à presidência, que foi alvo de críticas dos republicanos nesta semana. “Isso foi apenas uma demonstração de democracia, nada mais. Não vamos dar mais importância que isso ao incidente”, banalizou Specter em entrevista ao Opera Mundi.
O “incidente” foi um episódio ocorrido na terça-feira durante uma reunião pública numa cadeia da Pensilvânia, quando um homem tentou agredir Specter e foi barrado pela polícia. Mesmo assim, o senador ouviu o manifestante e evitou que ele fosse preso.
O homem protestava contra um dos pontos mais polêmicos da reforma de saúde: o uso de fundos públicos para pacientes com enfermidades terminais que optam pela eutanásia assistida.
Ontem, pela primeira vez, Obama se referiu ao tema em particular, dizendo que o governo nunca obrigará os pacientes terminais a aceitar a eutanásia, mas afirmou que o sistema de saúde tem de estar preparado para essa eventualidade. “[A morte assistida] será sempre voluntária. É um problema do paciente e sua família”, disse o presidente.
Segundo Richard Morris, ex-assessor político de Bill Clinton, a administração de Obama está perdendo com o debate sobre a reforma de saúde porque não dá a devida atenção às queixas do norte-americano médio. “Essa gente tem dúvidas, e as dúvidas são para ser esclarecidas, para ser escutadas. Não podem ser ignoradas apenas porque o presidente controla a maioria da Câmara de Deputados e do Senado. Isso deve ser uma obrigação a mais para escutar o que as pessoas tem a dizer”, disse Morris.
Para Mike Pence, deputado federal republicano, é “uma ofensa” quando os democratas dizem que existe uma campanha organizada pelo seu partido para sabotar as reuniões públicas, já que “os que protestam são cidadãos comuns e correntes, preocupados pela possibilidade de que o governo assuma o controle de uma indústria atrás da outra”.
Basicamente, a reforma propõe que o governo subsidie os custos de saúde dos cidadãos que não têm possibilidade de ter um seguro, e que este passe a ser obrigatório para todos os norte-americanos. Os republicanos, defensores da privatização de todo o setor econômico, têm medo que a reforma facilite a migração massiva de cidadãos para o seguro subsidiado e isso leve à quebra de centenas de companhias de seguros.
“Os republicanos podem ter um bom argumento nisso. Mas também, se partimos desse ponto de vista, o Exército deveria ser privatizado. A gente não pode andar pelo mundo tratando de curar as feridas mundiais às contas do contribuinte, e depois cobrar a saúde e o tratamento de nossa própria gente”, finalizou o analista Daniel Alvarez.
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