Política interna israelense entra em crise após ataque a navios humanitários
Política interna israelense entra em crise após ataque a navios humanitários
Depois do ataque israelense ao comboio de ajuda humanitária que pretendia romper o bloqueio à Faixa de Gaza, que teve grande repercussão internacional, o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sofre os primeiros abalos na política interna.
Durante sessão no parlamento israelense, cinco moções de censura foram apresentadas contra o executivo por parlamentares de partidos de cinco partidos diferentes. A principal delas, defendida pela líder da oposição e dirigente do partido centrista Kadima, Tzipi Livni, sustentava a ideia de que o ataque à chamada “Flotilha da Liberdade” colocou Israel em uma posição de isolamento internacional, o que, segundo ela, poderia ter sido evitado por Netanyahu.
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“Temos plena confiança no Estado de Israel, nos seus valores e nos seus cidadãos. Mas o atual governo não está representando o estado mundialmente”, disse Livni.
Segundo o jornal local Haaretz, a parlamentar ainda acusou o governo de destruir a posição de Israel no mundo e colocar em risco a segurança do Oriente Médio. A moção, no entanto, não questiona o ataque, mas sim a atitude do primeiro-ministro de evitar responsabilidades e tentar dirigi-las à instituição militar.
“O governo de Netanyahu tenta escapar de sua responsabilidade e dirige as críticas [pelo ataque aos navios de ajuda] contra os militares”, completou Livni, segundo o Haaretz.
Mesmo assim, o texto foi rejeitado por 59 dos deputados presentes, apoiado por 25 e contou ainda com nove abstenções.
Além do Kadima, outros quatro partidos – os árabes Ram-Ta'al, Balad, Partido Comunista Hadash e o bloco pacifista Meretz – apresentaram moções contra o governo, mas nenhuma foi aprovada.
Mesmo assim, as moções representam a primeira queda-de-braço interna e mostram que, ao contrário de outros conflitos que sacudiram Israel na esfera internacional – a Guerra do Líbano em 2006 e o ataque a Gaza no fim de 2008 -, nesta ocasião, nem todos concordam com o governo.
Réplica
Após tomar conhecimento das moções propostas por parlamentares oposicionistas, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, criticou o partido Kadima e pediu “contenção e responsabilidade” à legenda. “A próxima frota se vislumbra no horizonte e é necessário ter plena confiança no governo”, alegou.
O premier israelense fez questão de lembrar que quando aconteceu o ataque militar israelense há mais de um ano em Gaza – que deixou mais de 1,4 mil palestinos mortos e também foi fortemente criticado pela comunidade internacional, sendo considerado um massacre – ele estava na oposição e, mesmo assim apoiou o governo.
Já a ONU ratificou que “não fechou a porta” para uma investigação ao ataque à frota, apesar de Israel rejeitar a criação de uma comissão internacional.
Hoje, em nova ação, as forças armadas de Israel atacaram um barco de pequeno porte que navegava em frente à costa de Gaza. Quatro palestinos foram mortos no ataque.
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