Polícia Federal apura tráfico de haitianos após encontrar garoto em São Paulo
Polícia Federal apura tráfico de haitianos após encontrar garoto em São Paulo
Autoridades brasileiras tentam desvendar o que aconteceu com um garoto haitiano de 11 anos, encontrado perdido na estação de metrô Corinthians-Itaquera, Zona Leste de São Paulo, em dezembro de 2009. A criança, que se comunica somente em creole – língua falada no Haiti –, disse a representantes do consulado haitiano ter fugido do cativeiro e que deixou seu país com outras 13 crianças. Agora, a Polícia Federal e a Interpol investigam se o Brasil virou rota do tráfico internacional de crianças haitianas.
O caso foi revelado ontem pelo Jornal da Tarde. O menino contou à polícia que após deixar o Haiti, o grupo viajou primeiro para a Argentina, depois Paraguai, Bolívia e finalmente chegou ao Brasil, de onde seria levado à Guiana Francesa. Segundo o Jornal da Tarde, a Justiça não sabe se a Guiana Francesa era o destino final do menino. A suspeita é de que ele foi entregue aos sequestradores por algum parente.
O haitiano está desde a véspera do Ano Novo em um abrigo sob custódia da Justiça em São Paulo. O cônsul do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, afirmou ter conversado com o menino três vezes e que ele chegou a dar um telefone da família. Antoine disse que o consulado conseguiu conversar com uma tia de Jean, mas que ninguém voltou a atender ao telefone novamente.
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Investigações
Segundo o coordenador de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do estado de São Paulo, desembargador Antonio Carlos Malheiros, várias crianças do Haiti foram trazidas ao Brasil em 2009 em um esquema internacional de tráfico de seres humanos, apurou o jornal Folha de S.Paulo. “Não sabemos ainda qual o motivo desse tráfico. Pode ser para adoção, exploração sexual, trabalho escravo ou tráfico de órgãos”, afirmou Malheiros.
Segundo a Justiça, a mãe do menino morreu no terremoto que atingiu o Haiti em 12 de janeiro deste ano e o pai está vivo e aguarda o seu retorno. “Ele já demonstrou vontade de voltar para o Haiti. Em breve, deverá ser enviado de volta.”
O MRE (Ministério das Relações Exteriores) informou o governo haitiano, mas disse que não sabe como estão as negociações para a volta do garoto.
Rota
O tráfico de crianças é um dos mais graves problemas do Haiti. Dezenove dias depois do terremoto, dez americanos foram presos na capital, Porto Príncipe, quando tentavam atravessar a fronteira para a República Dominicana com 33 crianças com idades entre dois meses e 12 anos. Eles foram acusados de atuar num esquema de adoção ilegal e estão sendo processados.
Dois meses após o terremoto, um casal haitiano e uma boliviana foram presos na Bolívia sob a suspeita de tráfico humano para a exploração sexual e de trabalho. Eles estavam com 27 crianças e adolescentes com idades entre 6 e 17 anos.
A ONG Mães da Sé, que reúne dados de pessoas desaparecidas, havia divulgado no site uma foto com informações do menino haitiano. Depois que soube que ele estava com a Justiça, os dados dele foram retirados da internet.
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