Polícia detém ex-ditador do Haiti para interrogatório
Polícia detém ex-ditador do Haiti para interrogatório
A polícia haitiana deteve nesta terça-feira (18/01) o ex-ditador Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc, que estava em um hotel na capital, Porto Príncipe, para interrogatório. Após 25 anos de exílio na França, ele voltou inesperadamente ao país no domingo.
Um carro especial para transporte de presos chegou ao hotel e a polícia formou um corredor para levar o ex-ditador. Segundo reportagem do jornal espanhol El Mundo, ele será interrogado sobre ras acusações de desvio de dinheiro público na época em que governou o país.
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Jean-Claude Duvalier foi presidente do Haiti até 1986, quando foi deposto por uma rebelião popular e precisou fugir do país. Ele é o sucessor de seu pai, François Duvalier, apelidado de Papa Doc, que assumiu o poder em 1957 e implantou um regime de terror que durou até sua morte, em 1971.
Grupos de direitos humanos como a Human Rights Watch e Anistia Internacional exigem que o governo haitiano prenda e julgue Duvalier pela morte e tortura de milhares de membros da oposição. Mais cedo, o governo de René Preval havia comunicado que Jean-Claude é um homem livre e que nenhuma acusação formal na justiça pesa sobre ele.
A alta comissariada de direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) também questionou a justiça haitiana.
O retorno do ex-ditador acontece em um momento de incerteza política quando o Haiti ainda se recupera do terremoto. Há três semanas, foram realizadas as eleições que vão definir o sucessor de Preval. O segundo turno, previsto para o último domingo, foi adiado devido ao atraso na apuração.
O anúncio em dezembro dos resultados preliminares do primeiro turno, pelo Conselho Eleitoral Provisório, havia sido motivo de violentas manifestações dos partidários de Michel Martelly, que denunciaram fraude em massa em favor do candidato governista Jude Célestin, que terminou em segundo lugar.
Ganhou o primeiro turno uma ex-primeira-dama, Mirlande Manigat, com 31% dos votos. Martelly foi o terceiro com 7.000 votos a menos que Célestin. Um grupo de 12 candidatos à presidência exigiu por sua vez a anulação das eleições de 28 de novembro, manchadas, segundo eles, de fraude em favor de Célestin.
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