Peru nega ser o maior produtor de folhas de coca em 2009
Peru nega ser o maior produtor de folhas de coca em 2009
O presidente peruano, Alan García, chamou de “inexata” a informação de um organismo da ONU segundo o qual o Peru foi o maior produtor mundial de folha de coca em 2009, mas admitiu que seu país sofre “o efeito do Plano Colômbia”.
“É absolutamente inexato que o Peru ocupe o primeiro lugar, (mas) é certo que nós sofremos o efeito do Plano Colômbia”, declarou García a jornalistas.
O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) anunciou ontem que o Peru foi o maior produtor mundial de folha de coca no ano passado, com 119 mil toneladas, contra 103 mil da Colômbia.
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No entanto, o escritório da entidade em Lima esclareceu que a Colômbia aparecia à frente do Peru caso um mesmo sistema de medição fosse usado.
García lembrou que, “na Colômbia, há seis ou sete anos os Estados Unidos investiram US$ 5 bilhões para erradicar o narcotráfico e atacar os cultivos destinados à cocaína”.
“É por isso que alguns produtores de folha de coca que se estabeleceram em Putumayo (região na fronteira com o Peru), aproveitando as selvas”, alegou o presidente peruano.
García destacou as autoridades peruanas têm tido “grande êxito na erradicação e substituição produtiva da folha de coca” nas regiões de San Martín e do Vale dos Rios Apurimac e Ene, “com as dificuldades que possa haver” especialmente nesta última, onde a presença de traficantes e terroristas é intensa.
Esta afirmação contradiz distintas fontes envolvidas nos programas de substituição de cultivos, que asseguraram à Agência Efe que somente há cultivos na zona de Alto Huallaga.
García reiterou que o relatório do UNODC tem contradições porque ofereceu números diferentes ao ser apresentado em Lima, Bogotá e Viena, onde fica a sede do organismo.
O escritório em Lima declarou ontem à Efe que os números foram obtidos por meio de métodos diferentes: os colombianos mediram a folha secada ao forno (que é como o narcotráfico costuma atuar no país), enquanto os peruanos levaram em conta a folha secada ao sol.
Se nos dois casos fosse medido o volume de folha secada ao sol, a Colômbia, com 149.391 toneladas, estaria à frente do Peru, com 128 mil, segundo o cálculo do diretor do Programa de Monitoração de Cultivos Ilícitos do UNODC no Peru, Humberto Chirinos.
Em qualquer caso, a quantidade de hectares dedicados em 2009 ao cultivo da folha de coca no Peru subiu 6,8% em um ano, até 59.900 hectares, contra os 68 mil hectares registrados na Colômbia.
“Lamento dizer que essa informação não ratifica, nem prova, o que algum funcionário disse na Colômbia”, disse o presidente peruano ao falar dos dados oferecidos em Viena.
García também alegou que o cultivo de folha de coca “talvez aumente devido ao fato de que o grande consumo (de cocaína) não acontece apenas nos Estados Unidos, mas cresceu enormemente na Europa e na Ásia”.
O UNODC anunciou ontem em Lima que a produção total de folha de coca no Peru foi de 128 mil toneladas, das quais nove mil correspondem ao chamado “consumo legal”.
No Peru, a planta de coca é legal, assim como na Bolívia e ao contrário da Colômbia, mas a folha consumida legalmente não representa nem 5% do total da colhida, sendo o resto majoritariamente destinado ao narcotráfico.
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