Quinta-feira, 30 de abril de 2026
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Foi confirmado nesta terça-feira (22/06) que Ernestina Herrera de Noble, principal acionista do Grupo Clarín,  está há um mês nos Estados Unidos segundo informaram fontes da imigração do Uruguai ao jornal uruguaio Miradas al Sur . Ernestina saiu da Argentina quatro dias antes de seus filhos adotivos, Felipe e Marcela Herrera Noble, realizarem exame de DNA para descobrirem se foram adotados ilegalmente. O resultado deve ser divulgado nos próximos dias.

Há oito anos, a verdadeira identidade dos filhos de Ernestina é questionada por algumas organizações defensoras de direitos humanos na Argentina, principalmente a Associação das Avós da Praça de Maio, que afirmam que os dois são filhos de desaparecidos da última ditadura militar na Argentina (1976-1983).

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Desde 2001, quando começaram as acusações, os filhos se recusam a fazer o exame. A questão deixou de ser opcional em novembro de 2009, quando o congresso argentino aprovou uma lei de exame compulsório de DNA.

Os Herrera de Noble recorreram à justiça diversas vezes para não fazer o exame. Com a última decisão da Suprema Corte de Justiça, Felipe e Marcela serão obrigados a comparar as amostras de DNA com as demais armazenadas no Banco Nacional de Dados Genéticos da Argentina.

DyN



Marcela e Felipe,  filhos adotivos de Ernestina

Adoção

Segundo documentos da adoção, em 13 de maio de 1976, Ernestina se
apresentou diante da Justiça em San Isidro, com um bebê a que chamou de
Marcela. Disse que a havia encontrado onze dias antes em uma caixa
abandonada na porta de sua casa. Ela ofereceu como testemunhas uma
vizinha e o caseiro da vizinha, cujos depoimentos foram desmentidos em
2001.

No caso do Felipe, ela declarou que foi entregue, em 7 de julho de
1976, pela suposta mãe, Carmen Luisa Delta, que não podia ficar com o
bebê. No mesmo dia, sem dispor de provas determinando as circunstâncias
do nascimento, uma juíza concedeu a segunda guarda à Ernestina. A
Justiça descobriu, anos depois, que a Delta nunca existiu.

Investigação

Durante a ditadura, muitos filhos de prisioneiros políticos foram sequestrados e entregues clandestinamente a militares ou a simpatizantes do regime. Estima-se que 500 crianças tenham sido separadas dos pais na Argentina naquela época. Se for comprovado que houve sequestro, Ernestina Herrera de Noble pode ser presa.

As buscas pelos filhos desaparecidos já eram realizadas por algumas associações de direitos humanos da Argentina, como por exemplo, as Avós e as Mães da Praça de Maio. Com as Lei de Ponto Final e Obediência Devida, que, em 2005 e 2006, anularam a anistia dos torturadores do regime, a procura por documentos se tornou oficial.

Até agora, foram encontrados 101 filhos sequestrados.

Durante um depoimento à justiça, o ex-prisioneiro do regime militar Juan Carlos El Perro Clemente entregou uma lista de 293 casos de sequestros clandestinos. El Perro era militante quando foi sequestrado, mas depois passou a trabalhar para a polícia da província de Tucumán.

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