Segunda-feira, 11 de maio de 2026
APOIE
Menu

O célebre perfumista Jean-Paul Guerlain foi acusado de racismo após ter dito em uma entrevista na televisão que trabalhou “como um crioulo” para criar sua última fragrância. “Uma vez, trabalhei como um crioulo. Não sei se alguma vez os crioulos trabalharam tanto assim”, afirmou na sexta-feira (15/10) em entrevista concedida ao principal canal de televisão público francês, France 2.

Guerlain, considerado um dos homens mais ricos da França, utilizou a palavra “nègre”, que tem um sentido depreciativo em francês.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

O escândalo chegou ao governo, cuja ministra da Economia, Christine Lagarde, considerou “patéticas” as palavras do perfumista. “Espero que seja algo senil e sem importância e que manifeste desculpas sinceras”, afirmou a ministra à rádio RTL.

As associações SOS Racisme e o Conselho Representativo das Associações Negras (CRAN) disseram que pensam em denunciá-lo. A SOS Racisme acredita que as denúncias “têm um valor pedagógico” para acabar com “os clichês impregnados de resquícios coloniais”.

Mais lidas

Leia mais:

O estrangeiro: Sarkozy e o pensamento penal  

As tentações imperiais da França, por Reginaldo Nasser  


Análise: Uma banda cigana contra o horror à liberdade 

Cidade em Portugal constrói muro para isolar comunidade de ciganos


Retratação

Atualmente, Guerlain, de 73 anos, não é funcionário nem acionista da marca que leva seu sobrenome, é apenas conselheiro para “tendências olfativas”. Ele assumiu pessoalmente a responsabilidade do ato e pediu desculpas “a todos os que se sentiram ofendidos por estas palavras chocantes”.

“Minhas palavras não refletem de nenhuma forma meu pensamento íntimo, a não ser um equívoco inapropriado que eu lamento profundamente”, afirmou.

Nem todos acreditaram na sinceridade das desculpas, pois, como lembra a SOS Racisme, Guerlain já manifestou ter opiniões xenófobas antes. Em 2002, quando ainda estava à frente de sua perfumaria, recebeu uma denúncia por trabalho clandestino em suas plantações em Mayotte, a colônia francesa situada no oceano Índico. “Já se sabe que aqui a mão de obra clandestina é um mal endêmico”. Meses após esse escândalo, transferiu suas atividades à vizinha ilha de Anjouan, pertencente ao arquipélago de Comores.

Siga o Opera Mundi no Twitter

Perfumista Guerlain é acusado de racismo na França

NULL

NULL

NULL