Domingo, 19 de abril de 2026
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O Partido Republicano venceu ontem (19) uma eleição especial para definir o substituto de Ted Kennedy, morto em agosto do ano passado, no Senado norte-americano. Scott Brown saiu vitorioso com 52% dos votos, contra 47% da democrata Martha Coakley e 1% do libertário Joseph Kennedy – que, apesar do nome, não tem ligação com o clã do antigo ocupante da vaga pelo estado de Massachusetts.

Foi a primeira vez em 38 anos que um republicano conseguiu ser eleito senador no estado. Considerado um tradicional reduto democrata, Massachusetts deu uma vitória folgada para Barack Obama nas eleições presidenciais de 2008 – 62% dos votos, contra 36% do republicano John McCain. O resultado de ontem fez com que o partido de Obama perdesse a supermaioria (um mínimo de 60 senadores entre o total de 100) na câmara alta.

Agora, os democratas passaram a ter 59 cadeiras contra 41 dos republicanos. Para a base governista, Martha, que é procuradora-geral do estado, cometeu uma série de erros na campanha e é mais responsável pela derrota do que o governo Obama. No entanto, alguns analistas políticos discordam.

“Claro que Brown tinha algumas vantagens como candidato, mas esta derrota é também resultado de falhas do presidente Obama, especialmente no pacote de estímulo econômico, que foi muito fraco (menos de 1% do PIB), e nas reformas do sistema de saúde e do sistema financeiro”, diz ao Opera Mundi o analista Mark Weisbrot, co-diretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington. “Esta é a resposta populista da direita, que acusa Obama de ser desconectado do povo, em favor dos grandes bancos e dos ricos, quando deveria ser o contrário”.

Semanas antes da eleição, as pesquisas previam uma vitória tranquila de Martha Coakley. Mas Brown reverteu o quadro na reta final, fazendo campanha entre os moradores dos subúrbios de Boston e outras cidades antes conhecidas por serem redutos democratas. No último domingo, Obama viajou a Boston para participar da campanha da democrata, que concentrou forças nas áreas urbanas.

Mas o pedido de ajuda do presidente não foi suficiente. Ela perdeu por uma diferença de 120 mil votos. Segundo Weisbrot, a mudança na tendência de o voto dos eleitores de Massachussetts reflete um sentimento nacional de decepção de quem ajudou a eleger Obama em 2008.

“Os eleitores democratas ficaram chateados com essa percepção [de distanciamento dos pobres] mostrada por parte da mídia e pelos republicanos. E, não custa lembrar, eles também não gostam da escalada na guerra do Afeganistão e da manutenção da política externa de George W. Bush”, acrescenta.

Reforma da saúde

A dança das cadeiras pode atrapalhar a aprovação da reforma do sistema de saúde, atual prioridade do governo Obama. Sem a supermaioria, os democratas podem ter problemas para aprovar os projetos de lei, já que estão sujeitos às manobras republicanas.

A Casa Branca tentou minimizar o choque, mas Brown tocou na ferida ao declarar no discurso de vitória que os eleitores não querem a reforma da saúde de bilhões de dólares. Já aprovada pelo Senado, em 24 de dezembro, a reforma precisa ser ratificada pela Câmara dos Representantes, onde os democratas também estão em maioria. Se algo der errado e a proposta voltar para o Senado, Obama deverá ter problemas.

“Com esta derrota no Senado, os democratas certamente terão que fazer mais concessões financeiras e políticas em pontos polêmicos da reforma de saúde. Como está, o projeto não deverá ser aprovado”, avalia o consultor do setor de saúde do Banco Mundial, o brasileiro Bernardo Weaver.

Outro embate entre Republicanos e Democratas irá medir a força do presidente nas urnas em novembro: as eleições para renovar todas as vagas da Câmara dos Representantes e um terço das cadeiras do Senado.

Perda de cadeira de Ted Kennedy para republicanos é resposta da direita a Obama, dizem analistas

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