Domingo, 17 de maio de 2026
APOIE
Menu

Milhares de moradores do Sul do Sudão já votaram nos primeiros dos sete dias de consulta popular, que pode culminar na divisão do país em dois. Na área da futura fronteira, pelo menos 30 pessoas morreram na região de Abyei, rica em petróleo, segundo a BBC. Foram três dias de enfrentamentos, entre nômades árabes e integrantes de tribos sulistas. A ONU (Organização das Nações Unidas) também confirmou ter recebido relatos de violência.

Como o Sul tem altos níveis de analfabetismo, as cédulas de votação trazem dois desenhos, para serem assinalados pelo eleitor: uma mão simboliza a independência do sul; duas mãos dadas indicam preferência por manter o Sudão unificado.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Reprodução/Wikipedia

 

A área em azul votará sobre separação; verde é Darfur

Mais lidas

As reiteradas declarações do presidente Omar Al Bashir de que irá aceitar e seguir o resultado, seja ele qual for, aumentou a expectativa de que o processo fosse pacífico. Mas caso o Sul efetivamente venha a separa-se, muito vai ter de se negociar antes da decisão ser completamente efetivada.

Um dos pontos mais complicados é a demarcação da fronteira.“Só sabemos o que é o Norte e o que é o Sul de forma geral”, diz Aly Jamal, doutor do Instituto Superior de Relações Internacionais de Moçambique, e especialista em conflitos africanos. “Mas uma diferença de 200, 300 metros pode ser motivo de discussão depois, percebendo que o poço de petróleo ou a mina de tantalita esteja para o outro lado”, explica.

A tantalita é um mineral composto de ferro, manganês, nióbio e tântalo, usado na indústria eletrônica, vidro e aço, cujas maiores jazidas estão nos estados brasileiros de Roraima e Amapá.

Confirmando-se a esperada separação do Sul, a região ficaria com a grande maioria das reservas de petróleo já descobertas no Sudão. Mas as estruturas de escoamento e refino, bem como a saída para o mar, ficam no Norte.

A ideia inicial era realizar, ao mesmo tempo, uma outra consulta popular simultaneamente, exclusiva sobre o futuro da região de Abyei, que fica exatamente na fronteira. Mas ela foi adiada, por causa tensão que a decisão vai causar.

Leia mais: 

Sudão faz plebiscito sobre a separação de região rica em petróleo 

Fazer consulta sobre futuro do Sudão no prazo será milagre, diz chefe da comissão 

Sudão faz referendo sobre divisão do país e partidos fecham acordo  


Amorim recebe chanceler do Sudão depois de dizer que Brasil entregaria Bashir a Haia

Eritreia

Aly Jamal justifica sua preocupação citando o caso da Eritreia. O país foi o único surgido na África depois da criação da União dos Estados Africanos, em 1963 – que decidiu que, após o processo de independência, os países manteriam suas fronteiras, para evitar choques. “Em 1987, oito anos depois da separação, Eritreia e Etiópia envolveram-se em conflitos violentos por causa de uma porção de cadeia de montanhas, que alguém dizia que era importante sob o ponto de vista estratégico”, lembra. “Imagino o que pode acontecer onde há riquezas minerais comprovadas.”

Outros pontos que não foram esclarecidos antes do referendo é a cidadania dos moradores do Norte que atualmente vivem no Sul (e vice-versa), as regras de negócios entre os dois novos países e a divisão dos atuais ganhos com o petróleo.

Também é incerto o que vai acontecer no campo político no Norte. A única oposição atuante ao governo está no Sul do país. O partido no poder teria quase nenhuma resistência para impôr a lei islâmica, como já adiantou o presidente Omar Al Bashir. O Norte do Sudão tem maioria muçulmana, e o Sul é majoritariamente cristão.

Siga o Opera Mundi no Twitter            

Conheça nossa página no Facebook
 
 

Pelo menos 30 pessoas morrem em enfrentamentos no Sul do Sudão

NULL

NULL

NULL