PDVSA pede novo prazo para pagar dívida com governo venezuelano
PDVSA pede novo prazo para pagar dívida com governo venezuelano
A estatal petrolífera venezuelana Petróleos de Venezuela (PDVSA) pediu mais tempo para pagar 4,4 bilhões de dólares em impostos devidos ao governo do país e cerca de 5,5 bilhões de dólares que deve a prestadoras de serviço do setor.
Um relatório financeiro de 2008 da PDVSA, publicado recentemente, mostrou que a companhia devia 7,556 bilhões de dólares no final do ano passado, mas o ministro do Petróleo, Rafael Ramírez, afirmou que 2 bilhões dessa quantia já foram pagos.
Ramírez disse que títulos recentemente emitidos que levantaram 7,892 bilhões seriam usados para pagar as prestadoras de serviço.
Um porta-voz da PDVSA afirmou ao Opera Mundi que não pode confirmar ou negar os números das dívidas. O funcionário também disse que não pode comentar o motivo do atraso do pagamento, tendo em vista que a companhia petrolífera já levantou o montante exigido.
Os atrasos no pagamento motivam especulações de que a PDVSA enfrenta problemas de fluxo de caixa, disse ao Opera Mundi Jorge Piñon, especialista em Energia do Centro de Políticas do Hemisfério da Universidade de Miami.
“O sucesso de uma companhia petrolífera depende da administração, de como se gerenciam os ativos em tempos favoráveis e desfavoráveis”, afirmou Piñon. “Infelizmente, ao longo dos últimos cinco anos, a PDVSA foi transformada em caixa para os programas sociais do governo”.
Aumento de responsabilidades
Sob o presidente Hugo Chávez, as responsabilidades da PDVSA como estatal petrolífera aumentaram consideravelmente. Além do arrendamento pago à nação na forma de receitas do petróleo, a companhia assumiu o financiamento de programas sociais, como as clínicas de saúde gratuitas e oficinas de alfabetização nos bairros mais pobres, e de projetos agrícolas, e também passou a contribuir para os vários fundos de reserva estrangeira da Venezuela.
Tudo isso resultou em uma “profunda pressão econômica” sobre a instituição, disse Asdrubal Oliveros, diretor da Ecoanalitica, consultoria financeira com sede em Caracas.
No entanto, segundo Oliveros, não seria um grande problema para a PDVSA pagar o que deve ao governo, já que a companhia poderia saldar suas dívidas assim que os preços do petróleo voltassem a subir.
Em maio, a PDVSA expropriou várias prestadoras de serviço nacionais e internacionais, argumentando que lhes pagava comissões altas demais.
O novo adiamento é uma maneira de negociar uma redução dessas dívidas, afirmou Oliveros. A PDVSA pediu uma redução de 40% por causa da queda abrupta dos preços do petróleo desde o final do ano passado, mas muitas companhias afirmam que a estatal venezuelana tenta impor a redução.
“A resistência da PDVSA de pagar essas companhias é tanta que elas acabarão baixando significativamente suas tarifas”, disse Olivares. “Em 2003, as companhias cobravam 15%. Hoje, o preço é 40%. É uma maneira de negociar, e não uma falta de fundos”.
Fuga de investimentos
Esses atrasos, contudo, podem afugentar os investidores estrangeiros da Venezuela, disse Piñon. No mês passado, o esperado leilão de partes do campo de petróleo pesado de Carabobo, na Faixa do Orinoco, foi novamente adiado, indicando temores das companhias internacionais sobre as condições.
Mas várias companhias internacionais, entre elas Chevron (Estados Unidos), Total (França), CNPC (China) e Petrobras, já manifestaram interesse no projeto.
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