Paulo Nogueira Batista Jr.: tarifaço é ruim, mas não é para se alarmar ‘nem correr para baixo da cama’
Ex-diretor do FMI defende reação firme contra sobretaxa de Trump e diz que Brasil precisa retomar sentimento de grandeza
O economista Paulo Nogueira Batista Jr. avaliou que as tarifas de 50% anunciadas por Donald Trump contra as exportações brasileiras devem ter impacto limitado e não justificam o pânico.
Segundo ele, os Estados Unidos são hoje apenas o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás de China e União Europeia. “É ruim, mas nada que deva alarmar o governo nem fazer correr para debaixo da cama”, afirmou em entrevista ao canal Tutaméia nesta quinta-feira (10/07).
Ex-diretor executivo do FMI e wx-vice-presidente do Banco do BRICS elogiou a reação do governo Lula, que considerou “perfeita, comedida, mas firme dentro do assunto”, defendendo que o Brasil siga o exemplo da China, retaliando de forma cirúrgica para proteger seus interesses.
“Quando um valentão vem para cima de você, se você dá sinais de fraqueza, ele vai mais além. Ele reforça a pressão sobre você, se você der sinais de fraqueza. Então o Brasil tem que ficar firme”, afirmou.
Nogueira criticou duramente a direita brasileira: apontou que os bolsonaristas acabam “trabalhando para que os Estados Unidos atinjam exportações brasileiras”, contradizendo o discurso de patriotismo, e destacou que a direita tradicional também demonstra desnorteio diante da agressividade de Trump. “Ele está colando na cara do Bolsonaro e dos seus apoiadores a condição de protegido dos Estados Unidos e protegido de um presidente super antipático”, avaliou.
Para ele, há uma necessidade de que o Brasil diversifique suas reservas internacionais, hoje concentradas em dólares e títulos do Tesouro norte-americano, o que considera tornar o país “por um lado, vulnerável” a possíveis sanções. Segundo ele, ”ainda vale a pena, por exemplo, comprar ouro, comprar prata e armazenar aqui”.
Por fim, destacou que, apesar do perfil pacifista, o Brasil não deve aceitar um lugar submisso na geopolítica internacional. “O Brasil é objetivamente grande, mas falta aos brasileiros o sentimento subjetivo da grandeza”, concluiu. “O Brasil objetivamente é um gigante, não cabe no quintal de ninguém”.























